Falta de professores

Fenprof acusa ministro de “empurrar os problemas com a barriga”

19 de fevereiro 2026 - 13:02

A caravana nacional iniciada esta quinta-feira vai levar a Fenprof a percorrer todos os distritos do país até 4 de março para denunciar problemas específicos das escolas e o agravamento da falta de professores nos próximos anos.

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Professores no primeiro dia da caravana nacional da Fenprof
Professores no primeiro dia da caravana nacional da Fenprof junto à EBS Rodrigues de Freitas, Porto.. Foto Fenprof

Arrancou esta quinta-feira no Porto a Caravana Nacional organizada pela Fenprof e que até 4 de março irá percorrer todos os distritos do continente e ilhas sob o lema “Somos professores e educadores, damos rosto ao futuro!”.

Ao início da manhã, entrada da Escola Secundária Rodrigues de Freitas e do Conservatório de Música do Porto, o secretário-geral da Fenprof, Francisco Gonçalves, disse aos jornalistas que a falta de professores agravou-se este ano e o mesmo cenário irá repetir-se nos próximos, dado que cerca de quatro mil professores irão reunir a cada ano condições para pedirem a aposentação, enquanto o número de novos licenciados e com mestrados em ensino “é manifestamente inferior”.

Enquanto isso, o ministro Fernando Alexandre já leva dois anos no cargo e “até ao momento o que tem feito é ir empurrar os problemas com a barriga”, acusa o sindicalista.

Também no que diz respeito à revisão do Estatuto da Carreira Docente, “até ao momento não há uma única medida concreta que permita dizer: esta medida é melhor do que o que já existe”, prosseguiu Francisco Gonçalves.

O primeiro dia da caravana contará com visitas a várias escolas da região do Porto, como a Escola Artística Soares dos Reis, onde será denunciada a situação de precariedade dos professores do ensino artístico e profissional, nalguns casos há 15 anos com contrato a termo, o que viola diretivas comunitárias.

“Os professores que lá trabalham são contratados ano após ano, não existem grupos de recrutamento específico porque são muitas áreas, áreas diversificadas. Verificámos que esses professores veem a sua situação muito complicada. Aí há claramente uma violação da diretiva comunitária e o Governo tarda em resolver este problema”, lamentou o sindicalista, lembrando que “à contratação a termo está associada discriminação salarial” porque esses professores “têm sempre o mesmo salário, que nem sequer é um salário de professor, é um salário de técnico especializado. Não há uma carreira, uma progressão”.