Na tarde desta terça-feira estava marcada uma sessão de um clube de leitura na Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras, Lisboa. Na ordem do dia estava o livro Dar e Receber Amor em Todas as suas Formas, escrito por Sara Dias Oliveira.
O evento estava marcado para as 18h30 mas, minutos antes, elementos de um grupo homofóbico de extrema-direita, chamado Habeas Corpus, liderado por um juiz negacionista da Covid afastado da profissão, Rui da Fonseca e Castro, e que passou entretanto a dirigir o partido Ergue-te, decidiram perturbar a sessão. Esta só se pôde realizar depois das 19h50 depois de uma intervenção da Polícia Municipal.
Sociedade
Público impede interrupção de Habeas Corpus em apresentação de livro com temática LGBTQI+
Este mesmo grupo já tinha atacado a sessão de apresentação do mesmo livro que aconteceu em outubro na Livraria Buchholz, em Lisboa. Nessa altura, dezenas de pessoas impediram que o grupo de extrema-direita entrasse na sala onde decorria o evento.
Este foi apenas mais um de uma série de ações de intimidação que têm vindo a acontecer. Em março, por exemplo, o alvo foi a conferência "Igualdade em Construção: Os Direitos Humanos das Pessoas LGBT+" realizada na Ordem dos Advogados.
O grupo divulga impunemente uma "lista de terroristas LGBTQIA+" nas suas redes sociais. Esta terça-feira as acusações de "terrorismo ideológico" e de que a homossexualidade é uma "doença" foram proferidas apenas por um dos membros daquele grupo, Djalme dos Santos, que já tinha feito vários números parecidos, acompanhado por um cúmplice para o filmar. Trata-se do militante do Chega filmado a destruir cartazes do Bloco de Esquerda contra o genocídio em Gaza em setembro passado.
Um dos principais alvos das ofensas deste militante de extrema-direita foi o presidente da AMPLOS, António Vale, que iria apresentar o livro e que integra a "lista de terroristas LGBTQIA+" da Habeas Corpus.
Governo deixou sem resposta o pedido para o desmantelamento do grupo que persegue a comunidade LGBTQI+
Em setembro passado, mais de 50 organizações pediram o Governo que desmantele este grupo responsável por diversos ataques de ódio a ações da comunidade LGBTQI+.
Extrema-direita
Mais de 50 organizações pedem ao governo que desmantele o grupo Habeas Corpus
“Uma organização que promove o assédio, o ódio e a perseguição, numa cruzada contra os direitos humanos, não pode continuar a funcionar”, dizem os signatários. “A República Portuguesa não pode ficar à espera que um crime mais grave aconteça. Enquanto pessoas e associações alvo desta perseguição, apelamos a uma estratégia ativa e concertada do Governo para travar a desinformação, o ódio e a violência, fazendo prevalecer a atual lei portuguesa”.
O Bloco de Esquerda também questionou em agosto a Ministra da Administração Interna sobre medidas concretas para impedir os ataques da organização de extrema-direita.