O Irão acordou este sábado debaixo de bombas dos EUA e Israel. Além de alvos militares, também caíram bombas sobre Teerão.
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Donald Trump justificou os bombardeamentos com a recusa do Irão em abdicar do seu programa nuclear, mas apelou também ao derrube do regime, dirigindo-se à oposição iraniana: “Esta será provavelmente a vossa única oportunidade nas próximas gerações”.
O ataque segue-se a semanas de negociações que não tiveram grandes avanços, meses depois de os EUA e Israel terem tentado destruir o programa nuclear iraniano com bombardeamentos durante 12 dias. Nessa altura Trump tinha dito que o programa tinha sido “obliterado”, o que estava longe de ser verdadeiro.
Apesar das promessas do Irão que o seu programa nuclear não tem fins militares e das conclusões da agência da ONU e dos serviços de informações dos EUA que não encontraram provas de que o país estava a construir uma bomba atómica, esta tem sido a razão invocada para os ataques que visam decapitar o regime de Teerão. Benjamin Netanyahu apresentou o ataque conjunto como a forma de destruir uma “ameaça existencial” a Israel.
O primeiro-ministro de Omã, que mediava as negociações entre EUA e Irão, condenou a escalada e apelou aos EUA para parar os bombardeamentos. “Esta não é a vossa guerra”, disse Badr Albusaidi, que horas antes do ataque se mostrava otimista quanto ao curso das negociações, dizendo que o Irão tinha feito cedências importantes sobre o seu programa nuclear.
Os militares israelitas afirmaram que lançaram ataques tendo como alvos locais onde poderiam estar localizados altos responsáveis políticos e militares do regime iraniano. Até ao início da manhã, dizem ter destruído as várias vagas de mísseis que o Irão lançou sobre o país após ser atacado, não tendo notícia de mortes. O Irão retaliou também sobre bases estadunidenses em vários estados do Golfo, tendo atingido a base naval dos EUA no Bahrain. Outros alvos foram as bases no Qatar, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão fez um comunicado a dizer que os ataques irão provavelmente continuar nos próximos dias e apelou à população para sair das principais cidades para locais seguros. O Ministério dos Negócios Estrangeiros acusou os EUA de voltarem a atacar o país no meio de um processo negocial, tal como em junho passado, e acrescentou que o país está orgulhoso por ter feito o que estava ao seu alcance para prevenir uma guerra.
“Tal como estávamos prontos para as negociações, estamos mais preparados do que nunca para defender a nação iraniana”, promete o governo, apelando ao Conselho de Segurança da ONU para agir de imediato contra esta violação do direito internacional por parte dos EUA e Israel.
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A meio do dia de sábado estavam confirmadas 51 mortes numa escola feminina na cidade de Misab, no sul do país, com a agência noticiosa iraniana a dizer que a escola tinha sido diretamente visada por Israel, provocando também 60 feridos. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano prometeu que o ataque não ficará sem resposta.
The destroyed building is a primary school for girls in the south of Iran. It was bombed in broad daylight, when packed with young pupils.
Dozens of innocent children have been murdered at this site alone.
These crimes against the Iranian People will not go unanswered. pic.twitter.com/AVqiuolgWm— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) February 28, 2026