Base das Lajes

Pureza responde a Rangel e acusa Governo de pôr “os seus interesses à frente da decência”

24 de fevereiro 2026 - 11:30

Ministro Paulo Rangel diz que os EUA podem usar Lajes para atacar Irão sem avisar Portugal. Bloco de Esquerda diz que permitir operações militares que violam direito internacional “envergonha quem quer a paz”.

PARTILHAR
Rangel com avião na base das Lajes em fundo
Ministro Paulo Rangel diz que Portugal não tem dr autorizar escala de aviões para ataques dos EUA à margem ds leis internacionais.

Questionado pelos jornalistas na segunda-feira sobre o aumento do número de aviões militares dos EUA estacionados e a fazer escala na Base das Lajes, um movimento comparável ao que antecedeu o último ataque dos EUA e Israel ao Irão, o ministro Paulo Rangel admitiu que os militares estadunidenses “podem, para qualquer operação, usar [a base] sem Portugal ter de ter conhecimento. Isso é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas as bases europeias, dos mais variados países". 

Rangel acrescentou ainda que o aumento do movimento nas Lajes já aconteceu "mais do que uma vez" desde que é ministro e que o acordo prevê "autorizações tácitas, que são dadas com um prazo relativamente curto" relativamente ao sobrevoo, estacionamento e escala dos aviões militares. “Olhem para os últimos 50 ou 60 anos e verão que sempre foi assim... e é assim que continuará a ser. Cumprimos as nossas obrigações·, afirmou o ministro.

Nas redes sociais, o coordenador do Bloco de Esquerda criticou as palavras de Rangel e o que elas mostram acerca do respeito pelo Governo pela paz e a lei internacional.

“Violam o direito internacional? Podem usar as Lajes na mesma. É esta a “política externa” de Rangel”, resumiu José Manuel Pureza, considerando que “o Governo volta a colocar os seus interesses à frente da decência”, o que “não o envergonha a ele, mas envergonha quem quer a paz”, concluiu.