Questionado pelos jornalistas na segunda-feira sobre o aumento do número de aviões militares dos EUA estacionados e a fazer escala na Base das Lajes, um movimento comparável ao que antecedeu o último ataque dos EUA e Israel ao Irão, o ministro Paulo Rangel admitiu que os militares estadunidenses “podem, para qualquer operação, usar [a base] sem Portugal ter de ter conhecimento. Isso é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas as bases europeias, dos mais variados países".
Rangel acrescentou ainda que o aumento do movimento nas Lajes já aconteceu "mais do que uma vez" desde que é ministro e que o acordo prevê "autorizações tácitas, que são dadas com um prazo relativamente curto" relativamente ao sobrevoo, estacionamento e escala dos aviões militares. “Olhem para os últimos 50 ou 60 anos e verão que sempre foi assim... e é assim que continuará a ser. Cumprimos as nossas obrigações·, afirmou o ministro.
Nas redes sociais, o coordenador do Bloco de Esquerda criticou as palavras de Rangel e o que elas mostram acerca do respeito pelo Governo pela paz e a lei internacional.
“Violam o direito internacional? Podem usar as Lajes na mesma. É esta a “política externa” de Rangel”, resumiu José Manuel Pureza, considerando que “o Governo volta a colocar os seus interesses à frente da decência”, o que “não o envergonha a ele, mas envergonha quem quer a paz”, concluiu.