Presidenciais

“Estou aqui para combater o abandono e a desesperança”

04 de janeiro 2026 - 13:14

No arranque do período oficial da campanha para as presidenciais, Catarina Martins esteve na Feira do Canidelo para mostrar que entre os onze candidatos a Belém “há uma candidata para falar do que conta na vida das pessoas”.

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Catarina Martins
Catarina Martins na Feira do Canidelo. Foto Esquerda.net

Catarina Martins esteve na manhã de domingo na Feira do Canidelo, em Vila Nova de Gaia, no primeiro dia do período oficial de campanha para as eleições de 18 de janeiro. Das semanas de pré-campanha em que percorreu o país, destacou “a simpatia enorme que tenho recebido, porque falo para toda a gente e não estou dentro de nenhuma bolha”, permitindo o contacto direto com as pessoas.

E é esse contacto que irá manter nas próximas semanas para uma campanha em que a candidata quer falar “sobre as condições concretas da vida das pessoas: sobre o supermercado, a farmácia, o hospital, a escola, o salário e a pensão”. Entre os onze nomes que se apresentam a esta eleição, Catarina quer mostrar que “há uma candidata para falar do que conta na vida das pessoas”

“Uma Presidente da República é uma guardiã do equilíbrio das políticas do país”, defendeu Catarina, considerando que esse equilíbrio é agora mais necessário quando vivemos um “ano novo com o cabaz alimentar mais caro de sempre” num país que tem das “habitações mais caras do mundo” em comparação com os salários, e “um Estado que está a abandonar as populações quando as urgências não estão abertas, quando não há médicos de família, quando as escolas não têm os meios de que precisam para responder a toda a gente”

“Estou aqui para combater o abandono e a desesperança”, afirmou Catarina, afastando os “ataques de lama” em que se têm concentrado os candidatos à direita e apontando que “é a esquerda que tem trazido a vida das pessoas para esta campanha”.

Ataque à Venezuela: da posição “vergonhosa” do Governo ao medo dos candidatos ao centro “de afrontar o poderoso Trump”

Questionada pelos jornalistas sobre o ataque dos EUA à Venezuela e o sequestro do seu Presidente, Catarina Martins voltou a defender que “ainda estamos a tempo de uma coordenação da comunidade internacional para uma condenação inequívoca” da violação do direito internacional. Mas para já, afirmou que a posição do Governo português divulgada no sábado foi “vergonhosa”.

“Quando somos coniventes com a lei dos mais fortes, essa é a política mais fraca de todas. É a que vai depois dizer que Putin pode ficar com a Ucrânia, que a China pode ficar com Taiwan, que Trump se quiser também pode vir à Europa buscar a Gronelândia”, prosseguiu a candidata, sublinhando que “o que nos protege de hoje para amanhã haver um país qualquer a invadir outro, é nós levarmos o direito internacional a sério”.

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Catarina criticou ainda a posição dos candidatos ao centro, que “têm muito medo de afrontar o poderoso Trump. O problema é que quando temos medo de dizer o que é preciso em cada momento, so ficamos mais frágeis. É a política da cobardia”.

Já para André Ventura, que ao contrário de figuras da extrema-direita europeia como Marine Le Pen voltou a assumir a posição de vassalo apoiando o ataque de Trump, a candidata diz não estranhar que “um candidato à Presidência que já esteve em Espanha a gritar ‘Viva a Espanha!’ conviva muito bem com dizer que o direito internacional não vale nada”.

“Mas eu defendo Portugal e por isso defendo o direito internacional, porque traz paz e respeito pela soberania dos povos”, concluiu Catarina.