Venezuela

Bloco condena ataque dos EUA à Venezuela

03 de janeiro 2026 - 11:58

Após uma madrugada de ataques e explosões em várias cidades, Donald Trump anunciou que o presidente da Venezuela foi capturado e levado para fora do país. Bloco de Esquerda diz que o que está em causa “é aceitar ou não a prática de invasões para mudar governos”.

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Militares guardam o perímetro do Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas.
Militares guardam o perímetro do Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas, na madrugada dos ataques militares dos EUA. Foto Miguel Gutierrez/EPA

Os Estados Unidos da América lançaram na madrugada de sábado uma operação militar contra a Venezuela, com ataques e forte presença dos caças e helicópteros nos céus de várias cidades e explosões sentidas em Caracas e nos estados de Miranda, La Guaira e Aragua. Nas redes sociais, Donald Trump anunciou que o presidente Nicolás Maduro e a sua esposa tinham sido capturados por forças especiais estadunidenses numa “operação brilhante” e levados para fora do país. Uma informação que a vice-presidente Delcy Rodrígues aparenta confirmar, ao vir exigir a Trump uma “prova de vida” de Maduro e Cília Flores.

O ministro da Defesa Vladimir Padrino López acusou os EUA de terem lançado uma operação de mudança de regime e apelou à população para resistir à invasão. “Eles atacaram-nos, mas não nos derrotarão… formaremos uma muralha indestrutível de resistência. A nossa vocação é a paz, mas a nossa herança é a luta pela liberdade”, afirmou o ministro numa comunicação em vídeo.

Em comunicado, o Bloco de Esquerda condenou o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, afirmando que ele “é o culminar de uma escalada belicista que a administração Trump tem perpetrado nas Caraíbas e em particular contra a Venezuela”, país cujas reservas de petróleo já tinham sido publicamente cobiçadas pelo próprio Trump.

“Nos ataques ordenados por Donald Trump esta noite, está em causa algo de essencial: aceitar ou não a prática de invasões para mudar governos. Trump, como Putin, querem um mundo transformado em condomínio das potências, arrogando-se a faculdade de violar grosseiramente as regras mais básicas do Direito Internacional para se apropriarem de territórios soberanos e dos seus recursos”, prossegue o comunicado bloquista, esclarecendo que “não é, por isso, necessário ser apoiante do governo venezuelano para exprimir a condenação desta intervenção militar imperialista que sacrifica vidas e a soberania de outro país”.

O Bloco de Esquerda apela ao Governo português para condenar imediatamente a agressão norte-americana à Venezuela como violação flagrante do Direito Internacional e garantir a proteção da comunidade portuguesa no país.

Jose Manuel Pureza: “Tudo isto pertence ao domínio da obscenidade política

Em declarações ao final da tarde de sábado, José Manuel Pureza destacou “três situações de enorme gravidade” que ocorreram ao longo do dia. A primeira foi o ataque militar dos EUA contra um país soberano, e com ele “o direito internacional fica completamente espezinhado”, pois “hoje é a Venezuela, amanhã será qualquer outro país, a Gronelândia ou outro qualquer”, apontou o coordenador bloquista.

A segunda situação foi a conferência de imprensa em que Trump afirmou que vai designar os governantes do país e apropriar-se dos recursos naturais. Para José Manuel Pureza, “há que fazer justiça” ao Presidente dos EUA; pois nunca escondeu qual era o seu principal objetivo na escalada de agressão que promoveu contra a Venezuela.

E a terceira situação é a do “silêncio do Governo português”, que até então apenas tinha emitido um comunicado em linha com os dos outros governos europeus e sem uma palavra de condenação do ataque. Para José Manuel Pureza, esta é não apenas uma “atitude inqualificável”, mas também “de completa falta de coerência” com tomadas de posição anteriores, nomeadamente sobre a invasão russa da Ucrânia.

“Tudo isto pertence ao domínio da obscenidade política”, concluiu o coordenador do Bloco.


Notícia atualizada às 19h com declarações de José Manuel Pureza