Flotilha humanitária

Estivadores italianos prometem bloquear portos se Israel intercetar flotilha

04 de setembro 2025 - 14:23

A próxima paragem da flotilha humanitária com destino a Gaza é Tunes, onde se lhe juntarão as embarcações vindas do Magrebe e mais ativistas e parlamentares de vários pontos do globo, incluindo o neto de Nelson Mandela. Também de Itália se juntarão mais barcos depois de 40.000 pessoas terem assistido em Génova à sua saída.

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40.000 pessoas juntaram-se em Génova na saída da componente italiana da Flotilha.
40.000 pessoas juntaram-se em Génova na saída da componente italiana da Flotilha.

Numa declaração conjunta, vários grupos solidários com a Global Sumud Flotilla, que está a caminho de Gaza para tentar romper o bloqueio de Israel à entrada de ajuda humanitária, comprometeram-se a bloquear portos italianos se as autoridades israelitas intercetarem estes barcos.

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Entre estes grupos estão os estivadores do porto de Génova em resposta às ameaças do ministro sionista da “Segurança Nacional”, Itamar Ben-Gvir, que afirmou que o seu governo irá assumir controlo dos barcos, prender e tratar todos os presentes como suspeitos de terrorismo. Os estivadores dizem que não deixarão sair "nem um prego” do seu porto se tal se concretizar.

A mesma perspetiva se pode concretizar em Veneza, onde o sindicato de base Adl Cobas e vários centros sociais da cidade se juntam a esta iniciativa. Numa declaração conjunta, citada pela agência noticiosa italiana Ansa, afirmam: “continuaremos a nossa ação, transformando a indignação em ação direta, a solidariedade em desobediência”.

Entretanto, depois de um contratempo devido ao mau tempo, a Flotilha segue agora caminho com a primeira paragem a estar planeada para a Tunísia, onde várias outras embarcações e ativistas se juntarão.

Só da Tunísia serão mais dez barcos, com cerca de 200 voluntários, 127 dos quais tunisinos, mas há ainda grupos vindos de outros pontos do Magrebe e várias figuras vindas de outros pontos do globo.

Uma das ativistas que partirá de Tunes é a advogada alemã Melanie Schweizer que, esta quarta-feira à noite, denunciou a cumplicidade do governo do seu país para com o genocídio: “a Alemanha está outra vez do lado que está a cometer um genocídio”, lamentou, criticando ainda a prisão de ativistas pró-Palestina. Sublinhou ainda que “um evento como este não seria possível na Alemanha e isso por causa da repressão de Estado”, vincou. Daí participar na Flotilha para “dizer que os nossos governos não nos representam e falharam”.

Outro dos que se juntarão na Tunísia à iniciativa humanitária é Nkosi Zwelivelile “Mandla” Mandela, neto de Nelson Mandela, que partiu de avião para aí de forma a continuar o “legado da família” e juntar-se à sua “luta” do seu país, que tomou a iniciativa de acusar Israel de genocídio, para ser “a voz dos oprimidos”, uma luta que “está interligada à do povo palestiniano”. “Navegamos para romper o bloqueio e pôr fim ao cerco a Gaza”, sublinhou, com a missão de “entregar ajuda humanitária que é muito precisa para os mais vulneráveis”.

À Global Sumud Flotilla vão ainda juntar-se os barcos vindos de Itália e nos quais, para além de muitos outros ativistas, vêm deputados e eurodeputados como Benedetta Scuderi, do partido Verde Europa, Annalisa Corrado do Partido Democrata, Arturo Scotto, do mesmo partido, e o senador Marco Croatti do Movimento Cinco Estrelas. A própria Elly Schlein, líder do Partido Democrata, o maior da oposição ao governo de Meloni, não participa mas declara o seu “apoio total” à iniciativa.

Em Génova, perto de 40.000 pessoas juntaram-se para assistir à saída dos vários barcos desta frota de ajuda humanitária que transportam mais de 300 toneladas de bens recolhidos. E aí, um representante da Unione Sindacale di Base disse aos presentes: “se perdermos contacto com os nossos barcos nem que seja por vinte minutos, com os nossos camaradas, vamos bloquear toda a Europa”. De acordo com o sindicalista, perto de 13 a 14 mil contentores passam por este porto por ano com destino a Israel. esta quarta-feira, o sindicato anunciou a convocatória de uma greve geral caso a flotilha seja atacada.

A presidente da Câmara, Silvia Salis, também presente na despedida às embarcações, acrescentou: “todos os dias estou orgulhosa de ser presidente da Câmara desta cidade, mas esta noite, se é que é possível, estou ainda mais”.

Esta quinta-feira, o número de vítimas mortais em Gaza desde outubro de 2023 apresentado pelas autoridades de saúde locais chegou aos 63.746. Há ainda 161.245 feridos, mais de 10.000 desaparecidos entre os escombros e centenas de milhar de deslocados.

Israel continua um bloqueio à chegada de ajuda humanitária que já causou, de acordo com a mesma fonte, a morte por causa da fome a 370 palestinianos, 131 dos quais crianças. Mais três pessoas morreram de fome em Gaza nas últimas 24 horas.