Numa declaração conjunta, vários grupos solidários com a Global Sumud Flotilla, que está a caminho de Gaza para tentar romper o bloqueio de Israel à entrada de ajuda humanitária, comprometeram-se a bloquear portos italianos se as autoridades israelitas intercetarem estes barcos.
Entre estes grupos estão os estivadores do porto de Génova em resposta às ameaças do ministro sionista da “Segurança Nacional”, Itamar Ben-Gvir, que afirmou que o seu governo irá assumir controlo dos barcos, prender e tratar todos os presentes como suspeitos de terrorismo. Os estivadores dizem que não deixarão sair "nem um prego” do seu porto se tal se concretizar.
A mesma perspetiva se pode concretizar em Veneza, onde o sindicato de base Adl Cobas e vários centros sociais da cidade se juntam a esta iniciativa. Numa declaração conjunta, citada pela agência noticiosa italiana Ansa, afirmam: “continuaremos a nossa ação, transformando a indignação em ação direta, a solidariedade em desobediência”.
Entretanto, depois de um contratempo devido ao mau tempo, a Flotilha segue agora caminho com a primeira paragem a estar planeada para a Tunísia, onde várias outras embarcações e ativistas se juntarão.
Só da Tunísia serão mais dez barcos, com cerca de 200 voluntários, 127 dos quais tunisinos, mas há ainda grupos vindos de outros pontos do Magrebe e várias figuras vindas de outros pontos do globo.
The town of Zarzis, Tunisia, shows its support for the global sumud flotilla from Tunis.
Video: ghassen_bourguiba (IG) pic.twitter.com/n9F7pInJwW— Global Sumud Flotilla (@GlobalSumudF) September 4, 2025
Uma das ativistas que partirá de Tunes é a advogada alemã Melanie Schweizer que, esta quarta-feira à noite, denunciou a cumplicidade do governo do seu país para com o genocídio: “a Alemanha está outra vez do lado que está a cometer um genocídio”, lamentou, criticando ainda a prisão de ativistas pró-Palestina. Sublinhou ainda que “um evento como este não seria possível na Alemanha e isso por causa da repressão de Estado”, vincou. Daí participar na Flotilha para “dizer que os nossos governos não nos representam e falharam”.
“Germany is again on the side that is taking part in genocide.”
German lawyer Melanie Schweizer denounced her country for genocide complicity at the Global Sumud Flotilla’s legal briefing in Tunisia on Wednesday pic.twitter.com/Cajibc1M5q— Middle East Eye (@MiddleEastEye) September 4, 2025
Outro dos que se juntarão na Tunísia à iniciativa humanitária é Nkosi Zwelivelile “Mandla” Mandela, neto de Nelson Mandela, que partiu de avião para aí de forma a continuar o “legado da família” e juntar-se à sua “luta” do seu país, que tomou a iniciativa de acusar Israel de genocídio, para ser “a voz dos oprimidos”, uma luta que “está interligada à do povo palestiniano”. “Navegamos para romper o bloqueio e pôr fim ao cerco a Gaza”, sublinhou, com a missão de “entregar ajuda humanitária que é muito precisa para os mais vulneráveis”.
Nkosi Zwelivelile :
As I leave my wife, kids and loved ones I carry our family legacy and the fight our beloved country has taken to be the voice of the oppressed. Our struggle as South Africa is intertwined with that of the Palestinian people. As long as the is one single… pic.twitter.com/bd0Js3iCut— Global Sumud Flotilla (@GlobalSumudF) September 4, 2025
À Global Sumud Flotilla vão ainda juntar-se os barcos vindos de Itália e nos quais, para além de muitos outros ativistas, vêm deputados e eurodeputados como Benedetta Scuderi, do partido Verde Europa, Annalisa Corrado do Partido Democrata, Arturo Scotto, do mesmo partido, e o senador Marco Croatti do Movimento Cinco Estrelas. A própria Elly Schlein, líder do Partido Democrata, o maior da oposição ao governo de Meloni, não participa mas declara o seu “apoio total” à iniciativa.
Em Génova, perto de 40.000 pessoas juntaram-se para assistir à saída dos vários barcos desta frota de ajuda humanitária que transportam mais de 300 toneladas de bens recolhidos. E aí, um representante da Unione Sindacale di Base disse aos presentes: “se perdermos contacto com os nossos barcos nem que seja por vinte minutos, com os nossos camaradas, vamos bloquear toda a Europa”. De acordo com o sindicalista, perto de 13 a 14 mil contentores passam por este porto por ano com destino a Israel. esta quarta-feira, o sindicato anunciou a convocatória de uma greve geral caso a flotilha seja atacada.
A presidente da Câmara, Silvia Salis, também presente na despedida às embarcações, acrescentou: “todos os dias estou orgulhosa de ser presidente da Câmara desta cidade, mas esta noite, se é que é possível, estou ainda mais”.
Esta quinta-feira, o número de vítimas mortais em Gaza desde outubro de 2023 apresentado pelas autoridades de saúde locais chegou aos 63.746. Há ainda 161.245 feridos, mais de 10.000 desaparecidos entre os escombros e centenas de milhar de deslocados.
Israel continua um bloqueio à chegada de ajuda humanitária que já causou, de acordo com a mesma fonte, a morte por causa da fome a 370 palestinianos, 131 dos quais crianças. Mais três pessoas morreram de fome em Gaza nas últimas 24 horas.