Greve geral

Greve Geral volta a chumbar o pacote laboral

03 de junho 2026 - 10:18

A elevada adesão à greve geral pôs hospitais e transportes a funcionar com serviços mínimos, parou a produção em muitas empresas e fechou escolas e serviços públicos por todo o país.

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Piquete de greve na Autoeuropa
Piquete de greve na Autoeuropa. Foto Bruno Moreira

A greve geral convocada para esta quarta-feira pela CGTP, com apoio de oito sindicatos da UGT e muitos independentes, arrancou com elevada adesão, em especial nos setores dos transportes, saúde e educação.

“Está a ser uma grande greve geral, os dados que temos do período da noite mostram a grande disponibilidade dos trabalhadores para assumirem o dia de hoje como um grande dia de luta”, afirmou o secretário-geral da CGTP esta manhã à porta de uma das escolas de Lisboa em greve.

Fotogaleria da Greve Geral

03 de junho 2026

Segundo os dados que recolhera até então, Tiago Oliveira disse aos jornalistas que “os hospitais funcionam com serviços mínimos, na recolha de resíduos sólidos urbanos a adesão foi de 100% na maioria dos distritos, os portos de Setúbal e Sines estão encerrados, os transportes estão com grande adesão no Metro de Lisboa, Transtejo, Soflusa, CP, no setor aéreo. E na indústria temos grande número de empresas com adesão a 100% ou com produção parada”.

Para o líder da CGTP, “a dimensão do dia de hoje revela que os trabalhadores têm perfeita consciência do que é o pacote laboral”, um projeto apresentado “com o carimbo do século XXI e medidas do século XIX”.

Tiago Oliveira não espera que o Governo mude de rumo, pois “tem demonstrado arrogância e prepotência na forma como conduziu o processo” e as declarações do primeiro-ministro na véspera sobre a greve geral “mostram falta de humildade e de perceção da realidade”. E por isso “serão os trabalhadores que vão derrotar o pacote laboral”.

Em Lisboa os sindicatos anunciaram ao início da manhã 100% de adesão nos Hospitais de São José e São Francisco Xavier, bem como no Hospital de São João, no Porto, e em Coimbra, e de 90% no Hospital de Santa Maria.

Os comboios da CP apenas circulam nos serviços mínimos, o mesmo acontecendo com as principais empresas de transportes públicos onde estes foram decretados. Na aviação os sindicatos falam de 500 voos cancelados.

No Porto, o secretário-geral da Fenprof Francisco Gonçalves disse que a expetativa era a do encerramento da maioria das escolas na cidade. A proposta do pacote laboral traz mais dificuldades para quem trabalha no ensino e o dirigente sindical destaca pela negativa a aplicação do banco de horas individual, que “seria um absoluto desastre na já desregulada vida pessoal dos professores”

Depois de participar na véspera em piquetes de greve na Vidralva, na Marinha Grande, e no Metropolitano de Lisboa, José Manuel Pureza começou o dia com os trabalhadores da Autoeuropa. “A adesão é muito grande e sendo a Autoeuropa muito significativa, é um motivo de esperança”, afirmou o coordenador do Bloco aos jornalistas, sublinhando que “o que se está a jogar é decisivo para pôr fim a esta proposta, que tem de ser derrotada politicamente no Parlamento".

Pureza acrescentou que esta greve geral “é um dia muito importante e é motivo de muita esperança para quem olha que a sua vida e salários não têm de ficar piores e que o seu tempo de trabalho não tem de ser maior”.