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Espetáculo "Naquele dia, não passou na televisão" estreia esta quarta-feira

Dirigido por Joana Craveiro, o espetáculo, a ser exibido no Museu do Aljube, em Lisboa, até 21 de outubro, evoca a memória e a história do estudante José António Ribeiro Santos, assassinado pela PIDE-DGS. "Naquele dia, não passou na televisão" passará ainda pela Quinta Alegre - Lugar de Cultura entre 26 e 29 de outubro.

A estreia de "Naquele dia, não passou na televisão" é já esta quarta-feira, 19 de outubro, no Museu do Aljube, em Lisboa. O espetáculo realizar-se-á neste espaço nos dias 19, 20 e 21 de outubro, às 19h, e também a 20 de outubro às 15h. A entrada é livre, mas sujeita a inscrição através do e-mail [email protected].

Posteriormente, o espetáculo, dirigido por Joana Craveiro, passará pela Quinta Alegre - Lugar de Cultura, freguesia Santa Clara, em Lisboa, nos dias 26, 27 e 28 de outubro às 15h (sessões escolas) e 19h. A 29 de outubro haverá sessões às 15h e às 19h. Mais uma vez, a entrada é livre, mas sujeita a inscrição através do e-mail [email protected].

De acordo com o Teatro do Vestido, "Naquele dia, não passou na televisão" evoca a memória e a história do estudante José António Ribeiro Santos, assassinado por um agente da PIDE-DGS numa reunião no ISCEF (Instituto de Ciências Económicas e Financeiras, hoje ISEG), em Lisboa.

“Era um ‘meeting’ (como os estudantes chamavam a estas reuniões) – um ‘meeting contra a repressão’ - na qual se discutia a intensificação da repressão aos estudantes e às suas associações por parte do regime. Também se discutia o imperialismo e o colonialismo, tendo por mote a Guerra do Vietname (uma forma de discutir a guerra colonial que Portugal travava nas suas colónias africanas desde 1961)”, explica a companhia de teatro.

O assassinato de Ribeiro Santos “marcou a vida de muitos e muitas que o viveram ou que testemunharam as suas repercussões”, nomeadamente o seu funeral, no dia 14 de outubro de 1972, “com a presença de milhares de pessoas, e que se tornou num momento de afrontamento do regime, de protesto e de resistência”, lê-se na apresentação de "Naquele dia, não passou na televisão".

O Teatro do Vestido “parte de testemunhos e documentos para relatar a forma como a morte deste jovem foi divulgada, quer pelos seus amigos, apoiantes e companheiros de luta, quer pelo regime, que tudo fez para disfarçar o seu assassinato como um ‘acidente’ fruto de desacatos com os estudantes, em ‘tiros disparados para o ar’”.

A companhia de teatro lembra ainda que, “não por acaso, dois anos depois, à porta da Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, no dia 25 de Abril de 1974, os mesmos ‘tiros disparados para o ar’ serviriam como álibi para os agentes da PIDE que dispararam sobre a multidão matando quatro pessoas. Era um modus operandi”.

O espetáculo conta com investigação e texto de Joana Craveiro; co-criação e interpretação de Estêvão Antunes, Francisco Madureira, Inês Rosado, Tânia Guerreiro e Tozé Cunha; música e espaço sonoro de Francisco Madureira; cenografia de Carla Martínez; desenho de luz de Joana Craveiro, com a colaboração de João Cachulo; direção de produção de Alaíde Costa; e co-produção de Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, Teatro das Figuras e Teatro do Vestido.

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