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EDP aprovou distribuição de 695 milhões aos acionistas em tempo de pandemia

Acionistas da EDP votaram por 99,13% a favor, a distribuição de dividendos superiores em mais de um terço aos lucros que a empresa teve em 2019. A principal acionista do grupo é a empresa China Three Gorges, do estado chinês. Bloco condena a decisão.
Proposta de António Mexia foi aprovada pela assembleia da EDP: acionistas vão receber, em tempos de crise e pandemia, dividendos superiores em mais de um terço aos lucros que a empresa teve em 2019 – Foto de Tiago Petinga/Lusa
Proposta de António Mexia foi aprovada pela assembleia da EDP: acionistas vão receber, em tempos de crise e pandemia, dividendos superiores em mais de um terço aos lucros que a empresa teve em 2019 – Foto de Tiago Petinga/Lusa

Na tarde desta quinta-feira, 16 de abril, realizou-se por vídeo conferência a assembleia geral anual da EDP, que votou favoravelmente a proposta de distribuição de lucros apresentada pela administração liderada por António Mexia.

Como noticiámos, a proposta da administração, que foi aprovada na assembleia geral, é a de pagar dividendos de 0,19 euros por ação, o que significa um montante global de 694,7 milhões de euros.

Porém, o montante de lucros obtidos pela EDP em 2019 foi de 512 milhões de euros, pelo que a empresa elétrica vai distribuir em dividendos um montante superior aos lucros em 35,7% - 182,7 milhões de euros. Segundo o “Eco”, a EDP e a EDP Renováveis não alteraram a proposta devido à pandemia covid-19 e à crise económica, ao contrário da EDP Brasil e apesar dos alertas da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. A CMVM apelou esta semana às empresas cotadas na Bolsa de Valores de Lisboa a que tenham em conta a sustentabilidade das empresas a longo prazo e informem com transparência os acionistas, sobre o impacto da covid-19.

Segundo o “Dinheiro Vivo”, António Mexia disse na conferência de imprensa digital que “os dividendos são sustentados exclusivamente pela atividade internacional, se fosse pela operação em Portugal seriam de zero”. A EDP mantém assim a estratégia, que Mexia anunciou em março de 2019, de distribuir dividendos no montante de, pelo menos, 19 cêntimos por ação anualmente até 2022.

Principal acionista China Three Gorges

A EDP tem mais de cem mil acionistas, mas o seu principal acionista é a empresa China Three Gorges (CTG) do estado chinês, que detém atualmente 21,47%. Em 2018, a CTG lançou uma OPA para comprar o total das ações da empresa de energia, mas a proposta foi rejeitada na assembleia geral de 2019, que não levantou a norma de um limite de votos a 25% por acionista.

Além da CTG, são importantes acionistas um conjunto de fundos de investimento, nomeadamente norte-americanos, a empresa de petróleo da Argélia, o banco central da Noruega e o fundo soberano do Qatar. Todas estas empresas e fundos vão beneficiar largamente da distribuição de dividendos aprovada na assembleia geral de 2020.

Segundo o site da EDP, a estrutura acionista a 17 de abril de 2020 é a seguinte: CTG 21,47%; Oppidum Capital 7,19% (fundo de investimento espanhol); BlackRock 4,51%; Alliance Bernstein 2,94%; State Street Corporation 2,59%; o fundo abutre Paul Elliott Singer com 2,45%; Sonatrach 2,38% (empresa petrolífera estatal da Argélia); Qatar Investment Authority (fundo soberano do Qatar), 2,27%; Norges Bank 2,22% (banco central da Noruega); Grupo BCP + Fundo de Pensões do Grupo BCP 2,07%; EDP (ações próprias) 0,59%; restantes acionistas 49,32%.

Proibição de distribuição de dividendos

Na sua intervenção na Assembleia da República esta quinta-feira, Catarina Martins denunciou que a "EDP decide distribuição de 700 milhões aos acionistas enquanto famílias lutam para pagar conta da luz" e criticou a intenção de outras empresas como GALP, SONAE ou Jerónimo Martins, de distribuir dividendos milionários aos seus acionistas, defendendo que o Governo deve ir mais longe no exercício dos poderes do Estado de Emergência, nomeadamente na proibição da distribuição de dividendos das empresas, “em linha com os alertas lançados pela própria CMVM”.

O Bloco de Esquerda já propôs no parlamento a proibição de distribuição de dividendos, contudo o PS e a direita opõem-se a esta medida.

EDP distribui dividentos mas não negoceia salários, acusa a CGTP

Em comunicado da comissão negociadora sindical da Fiequimetal distribuído aos trabalhadores do grupo EDP, é afirmado: “Não temos administração para negociar tabela salarial. Só para distribuir lucros aos acionistas!”.

Em reunião por videoconferência em 15 de abril, entre a Fiequimetal e a administração da EDP, foram tratados diversos assuntos e os representantes dos trabalhadores perguntaram à administração para quando a retoma das negociações salariais, mas ficaram sem resposta.

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