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É incompreensível que a vida seja tão difícil para quem tem uma deficiência

Catarina Martins visitou a Associação Portuguesa de Surdos, lamentou que com a tecnologia atual as pessoas com deficiência tenham de enfrentar tantas dificuldades e deixou o compromisso de que o Bloco será “a força contra o esquecimento” quando estiver a negociar um contrato para o país.
Catarina Martins visitou esta quinta-feira a Associação Portuguesa de Surdos - Foto de Pedro Almeida
Catarina Martins visitou esta quinta-feira a Associação Portuguesa de Surdos - Foto de Pedro Almeida

No penúltimo dia de campanha, Catarina Martins e outras candidatas e candidatos visitaram esta quinta-feira a Associação Portuguesa de Surdos.

“Temos de responder pelas pessoas que têm sido esquecidas”, começou por afirmar a coordenadora bloquista, criticando “situações de invisibilidade”, “apoios que são prometidos”, “medidas que nos dizem que vão ser implementadas e que depois nunca mais chegam ao terreno”. “Hoje viemos reunir com a Associação Portuguesa de Surdos e com a federação e a comunidade Surda, uma das comunidades que tem razão de queixa e tem sido esquecida”, salientou.

Dando conta do trabalho do Bloco, Catarina Martins referiu que o partido tem trabalhado com a comunidade surda e foi possível, por exemplo, “garantir que a linha SNS 24 passasse a ser acessível também para as pessoas Surdas, que era uma exigência muito básica de acesso à saúde”. Porém, “como ouvimos aqui hoje, por exemplo, o 112 não é acessível”, pelo que numa emergência “uma pessoa Surda não tem forma de contactar, não tem forma de pedir ajuda e essa é apenas uma das muitas dimensões em que as pessoas surdas não estão a ser respeitadas”, criticou.

Assinalou também que “a promessa de uma escola bilingue com inclusão para as crianças e jovens Surdos” não está a ser respeitada e considerou “incompreensível que em pleno século XXI as pessoas com deficiência, com diversidade funcional tenham tanta dificuldade na mais variada ação do quotidiano”. E exemplificou: “É quase uma impossibilidade resolver alguma coisa com uma repartição de finanças, não se consegue comunicar com o médico ou enfermeiro, como nos disseram aqui. Pessoas mais velhas em lares ficam absolutamente isoladas sem ninguém com quem comunicar”.

A coordenadora do Bloco sublinhou também que “as situações de invisibilidade” não se verificam apenas com a comunidade Surda, “em que o que está na lei não tem sido respeitado”, e exemplificou com o martírio que foi para a deputada Diana Santos, tetraplégica, chegar ao encontro, “porque os passeios da rua não cumprem as condições da acessibilidade”. “A associação cumpre, mas a autarquia não cumpre”, salientou.

Compromisso do Bloco de Esquerda para com as pessoas com deficiência

“Nós temos uma série de leis que têm ficado na gaveta. E é incompreensível, com a tecnologia que nós temos hoje, que a vida seja tão difícil para quem tem uma deficiência, para quem tem dependência, para quem tem diversidade funcional”, frisou Catarina Martins, acrescentando que “não podemos mais continuarmo-nos a esquecer de boa parte da população”. “A primeira forma como esquecemos, aliás, é o facto de não haver sequer um levantamento sobre quantas pessoas em Portugal têm deficiência”, realçou.

“Se alguém acha que as questões das acessibilidades, todo o tipo de acessibilidades, são apenas para quem tem deficiência, para uma pequena parte da população, desengane-se”, sublinhou, lembrando que todas as pessoas são suscetíveis de ficar excluídas “por uma sociedade que não trata as acessibilidades como deve tratar”.

“O compromisso do Bloco de Esquerda para com as pessoas com deficiência, para com as pessoas que de alguma forma são dependentes, é total”, assegurou Catarina Martins, apontando que “assim como não aceitamos que 98% das verbas para os cuidadores informais tenham ficado na gaveta, também não aceitamos que as medidas mais simples de inclusão e de respeito das pessoas com deficiência e com diversidade funcional fiquem sucessivamente fechadas em gavetas”.

“E estamos aqui para dizer que toda esta gente que faz este país escolhe também no domingo o caminho e o próximo governo e não serão esquecidos”, declarou a coordeandora bloquista, acrescentando que “na segunda-feira, quando estivermos a negociar um contrato para o país, quem tem sido esquecido estará nas mesas das negociações com a força que o Bloco tiver no domingo”. E concluiu, afirmando: “Essa será a força contra o esquecimento contra o que fica invisível”.

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