Em comunicado enviado à CMVM e citado pelo portal Eco, o grupo Jerónimo Martins anunciou mais um ano de aumento dos lucros. Desta vez o dono do Pingo Doce viu os lucros subirem 28,2% no ano passado e fechou 2023 a lucrar 756 milhões de euros. Em janeiro já tinha anunciado o recorde do volume de negócios, que pela primeira vez superou a fasquia dos 30 mil milhões de euros, com um aumento de 20,6% face ao ano anterior.
Em Portugal, onde as pessoas perderam poder de compra para a inflação e as grandes distribuidoras rapidamente absorveram a diferença de preço do "IVA zero" aplicado pelo Governo a alguns bens essenciais, as vendas do Pingo Doce subiram 7,9%, atingindo os 4.900 milhões de euros, e as do Recheio aumentaram quase o dobro (15,1%), somando no ano passado 1.300 milhões de euros. Para este ano a administração liderada por Pedro Soares dos Santos prevê inaugurar 10 novos supermercados da sua principal marca em Portugal.
Num recente comício de campanha do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua respondeu às declarações do dono da Jerónimo Martins, que se mostrava incomodado com a ideia de aumentar os impostos sobre a riqueza. "Soares dos Santos gosta que se fale de impostos, desde que seja ele a receber o bónus fiscal que a direita lhe quer oferecer", afirmou a coordenadora bloquista, referindo-se à promessa de redução do IRC por parte da AD, IL e Chega.
"Soares dos Santos tem o mérito de ter herdado uma das maiores fortunas do país. Ganha mais num único ano do que o trabalhador médio da sua empresa ganharia em 260 anos de trabalho", recordou Mariana Mortágua, apontando a proposta de leques salariais do programa do Bloco para que ninguém numa empresa possa ganhar mais num mês do que um dos seus trabalhadores ganha num ano.
"A fortuna deste milionário é o resultado de um exército de trabalhadores mal pagos que são mandados comprar barato aos produtores para vender caro no supermercado, fazendo com que os preços subam. Isto não é produzir, isto não é criar. Isto é tirar à economia, tirar à agricultura, tirar ao trabalho, tirar ao país", concluiu Mariana Mortágua.
O mercado polaco, onde opera com a marca Biedronka, também contribuiu para os lucros do grupo, com as vendas a crescer 22,3%, atingindo os 21.500 milhões de euros. Para este ano, o grupo teme que o efeito da deflação alimentar venha a pressionar os resultados. O maior crescimento percentual das vendas veio da Colômbia, onde o grupo opera com a marca Ara em quase 1.300 lojas. Aqui as vendas aumentaram 37,7% face a 2022, o que corresponde a 2.400 milhões de euros.
Alexandre Soares dos Santos: ideologia, fuga aos impostos e salários baixos
porJorge Costa
Com os lucros a subir, os acionistas da Jerónimo Martins vão receber um dividendo de 0,655 euros por ação, num valor total de 411,6 milhões, o que representa pouco mais de metade dos lucros alcançados.