Xenofobia

Dois trabalhadores brasileiros agredidos e insultados no Porto

25 de setembro 2024 - 11:18

Tudo se passou na sequência de uma performance de dança na rua. Um bailarino e uma investigadora e curadora da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto ficaram feridos.

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Brasileiro agredido no Porto.
Brasileiro agredido no Porto. Foto de divulgação.

A Casa Odara informou que, nesta terça-feira, dois dos seus trabalhadores foram insultados e agredidos por dois homens nas ruas do Porto. A instituição revela nas suas redes sociais que os agredidos foram alvo de insultos xenófobos e convocou uma concentração para esta quarta-feira às 18.30 em frente às suas instalações como “ato público em repúdio à violência xenófoba/racista”.

O Globo reporta que uma das vítimas é o bailarino Jhon Kennedy Pereira da Silva, de 32 anos, e que vive no Porto há dois anos. O artista atuava na performance de dança “Cartas para ninguém”, de Ítalo Augusto, que começaria na rua para depois entrar no centro cultural, quando um dos agressores começou a gritar a dizer que estaria a ser filmado, dizendo coisas como “vai para o teu país” e ameaçando partir o telemóvel a uma das pessoas presentes. Jhon ficou ferido no braço esquerdo, nas costas e no peito.

A outra vítima é Maria Gabriela de Carvalho Ribeiro Alves, investigadora e curadora da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, que mora no Porto há cinco anos. Avança-se que “levou uma cotovelada na nuca e caiu” e que quando estava no chão “recebeu chutes e socos” tendo sido chamada “brasileira de merda”.

O advogado Diego Bove acrescenta que “além da agressão, tiveram palavras de ódio, racismo e xenofobia”.

A Casa Odara funciona na Rua Mártires da Liberdade no Porto. Fundada por um coletivo de mulheres migrantes, é simultaneamente um espaço cultural, de gastronomia, de cosmética e de apoio à comunidade brasileira, nele funcionando um café e um cabeleireiro. Resgata o seu nome de uma canção de Caetano Veloso em que este diz “Deixa eu cantar, que é pro meu corpo ficar odara”.