É apresentada como a maior greve de sempre na área da saúde nos Estados Unidos da América. Esta quarta-feira, e por três dias, enfermeiros e outros trabalhadores da saúde da Kaiser Permanente estarão em greve.
Este é um grande consórcio da área da saúde que se apresenta como sendo “sem fins lucrativos”. Gere planos de saúde que envolvem 12 milhões de pessoas, detém 39 hospitais e mais de 700 clínicas. Calcula-se assim que empregue 24.000 médicos, 68.000 enfermeiros e 213.000 trabalhadores, desde técnicos de saúde até pessoal administrativo.
A greve abrange “apenas” os 75.000 trabalhadores sindicalizados em oito estruturas sindicais representativas, por exemplo, de nutricionistas, enfermeiros, rececionistas, optometristas e farmacêuticos que estão em negociação com a administração depois do contrato coletivo anterior ter terminado a 30 de setembro. À cabeça das reivindicações estão melhores salários e mais contratações, calculando os sindicatos que serão precisos mais 10.000 trabalhadores na empresa, e proteção contra o outsourcing. Em termos de aumento salarial, a administração diz que está pronta a ir até a um máximo de 4% ao ano nos próximos quatro anos (mais baixo em algumas zonas). Os sindicatos dizem que isso nem cobre o aumento do custo de vida e pretendem um aumento de 6,5% nos primeiros dois anos e 5,75% nos dois seguintes em todas as instalações da empresa.
A administração garante que as instalações continuarão a funcionar, recorrendo-se ao pessoal médico, aos gestores e a “trabalhadores temporários”. Se um acordo não for alcançado, os sindicatos prometem uma greve “mais longa” em novembro.
The largest healthcare worker strike in U.S. history is happening right now!
RT to stand with healthcare workers across the nation. #United4All #SolidaritySeason@aboutKP @kpthrive pic.twitter.com/YhSX6kaURt
— SEIU-UHW #United4All (@seiu_uhw) October 4, 2023
Esta greve junta-se a muitas outras que têm vindo a ocorrer no país. De acordo com o Gabinete de Estatística de Trabalho dos EUA, durante o mês de agosto deste ano houve perto de 309.700 trabalhadores que fizeram greve no país. Entre as greves que já ocorreram este ano ou que continuam a ocorrer contam-se a dos trabalhadores do setor automóvel contra a Ford, General Motors e Stellantis, dos ferroviários, do setor aeronáutico e dos guionistas e atores das grandes companhias de televisão e cinema. Entre estas, as greves no setor da saúde têm destaque, sendo um terço do total das greves que envolveram mais de mil trabalhadores desde 2022 até agosto passado, isto apesar dos trabalhadores da saúde serem apenas 9% dos sindicalizados a nível nacional. Entre as maiores destas greves, destaque para a que fizeram 7.000 enfermeiras de dois hospitais de Nova Iorque em janeiro.