Está aqui

Desflorestação na Amazónia quadruplicou

Dados oficiais revelam que a área desmatada este ano na Amazónia é o quase o quádruplo em relação ao ano anterior. Recentemente, Jair Bolsonaro forçou a demissão do presidente do organismo responsável pelos dados de desflorestação.
Destamamento para exploração agrícola na Amazónia. Foto: Matt Zimmerman/Flickr.
Destamamento para exploração agrícola na Amazónia. Foto: Matt Zimmerman/Flickr.

A desflorestação da Amazónia está a acelerar de forma preocupante. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) atualizados esta terça-feira revelam que a área desmatada este ano é quase o quádruplo em relação ao ano anterior: cerca de 2 250 quilómetros quadrados até julho, contra 595 em 2018, ou mais 278%. O INPE calcula dados mensais de desmatação a partir de um sistema de alertas de alterações na cobertura florestal, o Sistema de Deteção do Desmatamento na Amazónia Legal em Tempo Real (Deter).

O INPE já tinha revelado em junho um aumento da desflorestação de 88% em relação ao mês homologo no ano anterior, incorrendo na ira de Jair Bolsonaro. O presidente do Brasil contestou publicamente os dados e acusou o então presidente da instituição, Ricardo Galvão, de mentir e agir ao serviço de uma ONG. Galvão defendeu o trabalho do instituto e criticou Bolsonaro por "um comportamento como se tivesse falando num botequim" e fazer "acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira, e não foi só eu", numa entrevista ao Jornal Nacional. Numa conferência de imprensa na quinta-feira passada, Bolsonaro considerou de novo a divulgação dos dados uma irresponsabilidade, acusou os números de serem "espancados" para prejudicar o país, e ameaçou Galvão de demissão, enquanto o ministro do Ambiente apresentava mapas que dizia desmentirem os dados do INPE. Galvão acabou por ser exonerado, sendo substituído interinamente por Darcton Policarpo Damião, um oficial da força aérea.

Desde a sua campanha e depois como presidente, Jair Bolsonaro tem defendido uma política de levantamento de restrições à desflorestação da Amazónia, com posições controversas de negação das alterações climática que têm alarmado organizações não-governamentais e também governamentais, no país e no estrangeiro. Nas últimas semanas, setores da direita e dos negócios reiteraram a intenção de licenciar a mineração artesanal em terras indígenas dos estados amazónicos. Esta terça-feira, Bolsonaro afirmou durante um encontro com empresários em São Paulo que o estado do Roraima poderia ser tão desenvolvido quanto Japão, não fora as reservas indígenas e as questões ambientais: "Com a tecnologia, em 20 anos teríamos em Roraima uma economia próxima à do Japão. Tem tudo lá, mas 60% do território está imobilizado com reservas indígenas e outras questões ambientais".

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, com uma área de cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados que absorve 2 biliões de toneladas de dióxido de carbono por ano e liberta 20% do oxigénio do planeta.

Termos relacionados Governo Bolsonaro, Ambiente
(...)