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Cuba: Protestos contra gestão da pandemia e crise alimentar

Este domingo, Cuba assistiu às maiores manifestações anti-governamentais dos últimos 30 anos. O Presidente Díaz-Canel responsabilizou o bloqueio dos EUA e apelou aos apoiantes do Governo para ocuparem as ruas.
Em Havana, manifestantes contra e a favor do Governo mediram forças nas ruas.
Em Havana, manifestantes contra e a favor do Governo mediram forças nas ruas. Foto publicada por Dean Luis Reyes/Facebook

Milhares de cubanos saíram este domingo às ruas de Havana e outras localidades em protesto contra a falta de comida, medicamentos e os apagões num momento em que a ilha enfrenta a maior vaga da  pandemia de covid-19. As manifestações anti-governamentais apelaram também à queda do Governo, por entre gritos de “Liberdade” ou “Abaixo a ditadura”.

Segundo relatos da imprensa internacional e também da Amnistia Internacional, as manifestações prosseguiram durante a noite e foram reprimidas pela polícia, provocando centenas de detenções e alguns feridos, entre os quais um fotógrafo espanhol da Associated Press, como denunciou nas redes sociais o jornalista cubano Dean Luis Reyes.

As manifestações foram as mais expressivas desde os anos 1990 e em geral foram pacíficas, com exceção de alguns saques em lojas do Estado e vários automóveis da polícia e de dirigentes políticos locais vandalizados.

A dimensão da mobilização obrigou o presidente cubano Días-Canel a dirigir-se ao país, numa mensagem para garantir que sabe distinguir entre “os revolucionários confundidos e os habitantes de Cuba que possam ter certas preocupações, mas não vamos permitir que um contra-revolucionário, um mercenário, vá provocar desestabilização no nosso povo”. Díaz-Canel apelou aos apoiantes do Governo para tomarem as ruas em todas as localidades onde haja protestos, após ter considerado as manifestações “criminosas, num momento em que as pessoas devem estar em suas casas, a proteger-se” da pandemia.

O presidente também participou numa manifestação de apoiantes do Governo em San Antonio de los Banos, nos arredores de Havana. Em Santiago de Cuba, foi o vice-primeiro-ministro Ramiro Valdés, um dos comandantes da Revolução Cubana, a dirigir-se aos manifestantes que protestavam na cidade.

Díaz-Canel atacou “os que sempre apoiaram o bloqueio, os que serviram de mercenários, lacaios do império ianque, que começam a aparecer com doutrinas de intervenção humanitária, de corredor humanitário, para fortalecer o critério de que o Governo cubano não é capaz de sair desta situação, como se estivessem interessados no bem-estar e na saúde do nosso povo”. Se essa preocupação for sincera, acrescentou o chefe de Estado cubano, “abram o bloqueio”. “Que fundamento legal, moral, justifica que um governo estrangeiro possa aplicar essa política a um país pequeno no meio de situações tão adversas? Isso não é genocídio?”, questionou.

Lembrando que nos países mais ricos do mundo os sistemas de saúde também colapsaram com as vagas mais graves da pandemia, Díaz-Canel apontou o bloqueio dos EUA, intensificado pela administração Trump e que culminou na inclusão de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo, como a origem da falta de alimentos, medicamentos, matérias-primas e insumos, asfixiando a capacidade de exportar e de receber divisas para importar e investir, bem como a capacidade de produzir bens e serviços para a população.

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