O concurso internacional para a concessão de licenças dos casinos por 15 anos em Espinho, no Algarve e na Póvoa de Varzim só foi lançado pelo atual Governo a poucos meses de expirar o prazo do fim das concessões. E o resultado foi o esperado: segundo o Expresso, o executivo de Luís Montenegro falhou o compromisso de fechar o processo antes de 31 de dezembro, sendo obrigado a prorrogar as concessões existentes até que o concurso esteja finalizado e as eventuais contestações ao seu resultado decididas.
Quem irá beneficiar com esta prorrogação são os grupos detentores da atual concessão, a começar pela Solverde, a mais sonante cliente da Spinumviva, empresa criada pelo atual primeiro-ministro quando abandonou o escritório de advocacia. A Solverde detém as licenças dos casinos no Algarve (Praia da Rocha, Vilamoura e Portimão) e em Espinho. A proximidade entre os donos da Solverde e o primeiro-ministro vai para além das avenças com que o grupo remunerava mensalmente a Spinumviva. Após a moção de censura que teve origem na falta de transparência de Luís Montenegro para com a Assembleia da República, Manuel Violas e Montenegro fizeram-se fotografar a jogar golfe juntos em Espinho, a sua terra natal.
Também a Estoril Sol, cuja subsidiária detém a concessão do Casino da Póvoa, verá a sua licença prorrogada por tempo indeterminado.
O concurso internacional atraiu vários interessados, sobretudo na concessão algarvia, onde uma empresa do fundo Blackstone e o grupo francês Barrière foram a jogo. Aqui poderá haver razão para contestar as regras do concurso, pois o casino da Praia da Rocha insere-se num hotel da Solverde e caso vença uma empresa concorrente teria de ser construído um novo casino em tempo recorde.