Pelo terceiro ano consecutivo, os milhões de telespetadores que assistem ao festival da Eurovisão vão ver em palco a representação de Israel, apesar do genocídio em Gaza, ao mesmo tempo que a organização proibiu a participação russa após a invasão ilegal da Ucrânia. Esta é a razão para que mais de um milhar de artistas e bandas apelem ao boicote ao evento que se realizará na Áustria em maio.
”Rejeitamos que o Festival Eurovisão seja utilizado para branquear e normalizar o genocídio, o cerco e a brutal ocupação militar de Israel contra os palestinianos”, diz o texto do apelo lançado por Brian Eno, Massive Attack, Sigur Rós, Nadine Shah, Idles, Young Fathers, Kneecap, Erika de Casier, Paul Weller, Mogwai, Smerz, Nemahsis, Macklemore, Roger Waters, Peter Gabriel, Primal Scream, Ólafur Arnalds, Of Monsters And Men, Paloma Faith, Black Country New Road, Salute, David Holmes, Dry Cleaning, Hot Chip, Midland, Olof Dreijer dos The Knife, Mechatok, Lido Pimienta e vencedores de anteriores edições da Eurovisão como Emmelie de Forest (2013) e Charlie McGettigan (1994).
Os artistas aplaudem as emissoras que decidiram não participar numa edição ao lado de Israel - Espanha, Irlanda, Islândia, Eslovénia e Países Baixos - e aos artistas que participaram nas finais nacionais e anunciaram a recusa em ir à Eurovisão.
“Como é que um artista ou um fã do Festival Eurovisão da Canção pode, em boa consciência, participar na próxima edição do concurso na Áustria, tendo em conta os planos dos EUA e de Israel para a criação de campos de concentração sob vigilância intensiva na “Nova Gaza” ? Há momentos em que o silêncio passivo não é uma opção”, afirmam.
O apelo é subscrito por muitos artistas de Portugal, incluindo antigos participantes na Eurovisão como Cláudia Pascoal (2018), Iolanda(2024), Carlos Mendes (1968 e 1972), Ella Nor (Leonor Andrade, 2015), Vasco Duarte (2011), Beatriz Pessoa (2022, como coralista da concorrente Maro), ou ainda Elisa, vencedora do Festival de Canção em 2020, que não participou na Eurovisão devido ao cancelamento do evento por causa da pandemia. A lista inclui Jorge Palma, Femme Falafel, Linda Martini, Mayra Andrade, Vaiapraia, Ana Lua Caiano, The Legendary Tigerman, Ana Bacalhau, Celina da Piedade, Cristina Branco, Fado Bicha, Francisca Cortesão, Pop Dell'Arte, José Peixoto, Luanda Cozetti, Omiri, Pedro Coquenão, Calcutá, Ana Deus, Sensible Soccers, Passo Real, Stereossauro, Xullaji, entre muitos outros.
Em comunicado, o Comité de Solidariedade com a Palestina anuncia a subscrição de mais de 300 artistas portugueses e salienta que “a adesão significativa de músicos portugueses a este apelo mostra, uma vez mais, que o apoio a esta causa não é circunstancial, mas crescente, sustentado e transversal a todo o meio musical nacional. É incompreensível e inaceitável que a RTP continue a associar os seus trabalhadores e a música portuguesa ao branqueamento de crimes contra a humanidade;.