Num comunicado divulgado esta quarta-feira, 17 artistas declararam a sua recusa em participar no Festival Eurovisão da Canção de 2026 “caso sejamos representantes da canção vencedora do Festival da Canção em março do próximo ano”.
“Entendemos que o país e o mundo vivem momentos em que o silêncio nos torna cúmplices de uma tragédia. Com palavras e com canções, agimos dentro da possibilidade que nos é dada. Não compactuamos com a violação dos Direitos Humanos. E resistimos com a cultura, com a cultura portuguesa”, declaram os artistas num comunicado conjunto.
Os artistas, que representam 11 dos 16 concorrentes no Festival da RTP, lamentam a posição da estação pública na recente assembleia da União Europeia de Radiodifusão, ao viabilizar a continuidade de Israel no Festival da Eurovisão.
“Apesar da proibição de participação da Rússia na edição de 2022 na Eurovisão, por motivos políticos (a invasão da Ucrânia), foi com espanto que constatámos que não foi dado o mesmo destino a Israel, que está, segundo a ONU, a cometer atos de genocídio contra os palestinianos em Gaza”, apontam os artistas.
O comunicado é subscrito por Beatriz Bronze (Evaya), Cristina Branco, Djodje, Francisco Fontes, Gonçalo Gomes, Inês Sousa, Ivo Costa (Bateu Matou), Joaquim Albergaria (Bateu Matou), Jorge Gonçalves (Jacaréu), Mafalda Matos (Marquise), Matias Ferreira (Marquise), Miguel Azevedo (Marquise), Miguel Pereira (Marquise), Nunca Mates o Mandarim, Pedro Fernandes, Rita Dias e Rui Pité (Bateu Matou).
Islândia anuncia que não irá ao Festival da Eurovisão
Também esta quarta-feira a RÚV, a estação pública de televisão islandesa, anunciou que a Islândia não participará na edição de 2026 do festival da Eurovisão. O país junta-se assim à Espanha, Países Baixos, Irlanda e Eslovénia, que fizeram o mesmo anúncio logo após a reunião da UER.
A decisão islandesa vem na sequência um apelo público da cantora Björk para que o país boicotasse a próxima edição do concurso na sequência da guerra em Gaza. A RÚV considera que a presença no Festival da emissora pública israelita “gerou desunião tanto nos membros da União Europeia de Radiodifusão como no público em geral”.