A petição online a exigir que a RTP anuncie a não participação de Portugal na Eurovisão 2026 enquanto Israel participar no certame já reuniu mais de 15 mil assinaturas e pode ser subscrita aqui.
“Existe um dever ético de não aplicar dinheiros públicos num evento que se transformou numa plataforma de limpeza de imagem através da arte de graves violações de Direitos Humanos. A missão da RTP é promover a cultura e a paz, não normalizar a guerra”, afirmam os peticionários no texto dirigido ao Conselho de Administração da RTP.
Eurovisão
Trabalhadores da RTP querem que a estação tome posição contra presença de Israel no festival
Denunciam ainda a “fraude no televoto” na edição de 2025, com aquele a ser “instrumentalizado por campanhas organizadas pelo Estado israelita, não para celebrar a música, mas para validar uma ofensiva militar”. E insistem que “a RTP não pode submeter os artistas portugueses a um concurso onde o vencedor é decidido por quem investe mais em propaganda para branquear a imagem de um conflito armado”.
Ao votar para permitir a continuidade de Israel no Festival, prossegue o texto da petição, “a RTP deixou de ser apenas uma participante passiva para se tornar cúmplice ativa na normalização do conflito”, tendo em conta que a organização excluiu no passado a Rússia, a Bielorrússia e a Jugoslávia. Assim, “ao votar para manter Israel em 2026, a RTP valida a ideia de que existem guerras aceitáveis e que a violação do Direito Internacional é tolerável para uns, mas não para outros”, concluem os peticionários.
Desde que o voto da RTP foi conhecido, com a União Europeia de Radiodifusão a manter Israel no festival, as organizações representativas dos trabalhadores da RTP tomaram posição pela retirada da participação portuguesa da edição de 2026 do festival, tal como já anunciaram as televisões públicas de Espanha, Irlanda, Países Baixos e Eslovénia. Uma posição partilhada por Salvador Sobral, o único artista português a vencer uma edição do Festival da Eurovisão.