As estações de televisão juntaram-se esta quinta-feira para decidir na Assembleia Geral da União Europeia de Radiodifusão sobre algumas medidas para alterar o sistema de votação do público, que tem estado sob suspeita de manipulação. Mas a votação secreta sobre a presença de Israel na próxima edição do festival, requerida pela estação pública espanhola, foi negada pela presidência da UER, para quem as novas regras encerravam o assunto.
Genocídio
Israel na Eurovisão: RTP no coro calado dos cúmplices
Gil Ribeiro e Beatriz Realinho
“A situação em Gaza, apesar do cessar-fogo e a aprovação do processo de paz, e a utilização do certame para objetivos políticos por parte de Israel, tornam cada vez mais difícil manter a Eurovisão como um evento cultural neutral”, afirmou o presidente da RTVE no comunicado em que a estação anuncia que não participará nem transmitirá a próxima edição do festival.
A mesma medida será tomada pelas estações públicas da Irlanda, Eslovénia e Países Baixos, que já tinham anunciado a saída caso Israel não fosse excluído do festival em 2026. Por seu lado, a Alemanha, Áustria e Suíça tinham ameaçado sair se Israel fosse excluída. No caso austríaco, o primeiro-ministro ameaçou deixar de acolher a final prevista para Viena se isso sucedesse. Países como a França, Dinamarca e Sérvia disseram que continuariam em qualquer caso e outros, como a Noruega, Islândia e Portugal, reservaram a posição para depois da decisão.
A RTP não demorou muito a anunciar que irá continuar a participar no Festival Eurovisão da Canção e que votou a favor das novas regras por considerar que "permitem que os países participem na próxima edição do Festival Eurovisão da Canção com um maior grau de confiança nos resultados das votações". As novas regras do voto do público limitam o número de votos a dez por cada telefone, procurando dificultar as campanhas organizadas para influenciar a votação. Regressa o voto do júri profissional nas meias-finais.
Genocídio
Eurovisão adia decisão sobre Israel, BDS quer boicote de artistas ao Festival da RTP
Em outubro, o movimento pelo Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel (BDS Portugal) acusou a RTP de “‘lavar as mãos’ de qualquer responsabilidade e delegar nos músicos vencedores do Festival da Canção a decisão de participar ou não na Eurovisão”, colocando nos artistas toda a pressão de uma decisão de boicote. E por isso apelou a um boicote ao próprio festival da Canção da RTP que irá selecionar o representante na Eurovisão.
Agora, o movimento critica o “silêncio cúmplice” da RTP na reunião da UER, pelo que “deve retirar-se imediatamente da Eurovisão e terminar a sua cumplicidade no branqueamento e normalização de crimes contra a humanidade”.