Genocídio

Eurovisão adia decisão sobre Israel, BDS quer boicote de artistas ao Festival da RTP

14 de outubro 2025 - 15:45

Com a RTP a não se juntar às estações televisivas europeias que anunciaram o boicote à Eurovisão caso Israel participe, a campanha BDS defende que o boicote dos artistas é a forma de garantir que a RTP não estará ao lado de Israel na Eurovisão.

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Eurovisão 2026

A Eurovisão adiou para dezembro a reunião onde será discutida a participação de Israel no seu festival musical. A União Europeia de Radiodifusão (UER) tinha agendado para novembro uma assembleia extraordinária na sequência da vontade de vários países em excluir a participação israelita por causa do genocídio em Gaza. Mas agora recuou e diz que o assunto será tratado na reunião anual de dezembro. A organização justifica o adiamento “à luz dos recentes desenvolvimentos no Médio Oriente”, com a assinatura do acordo de cessar-fogo.

O movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel (BDS Portugal) vai apelar a um boicote dos artistas ao Festival da Canção da RTP. Essa será “a única forma de garantirmos que a RTP não irá participar na Eurovisão ao lado de Israel e, assim, continuar a ser cúmplice na normalização dos crimes israelitas”, diz a campanha. Este apelo surge após a RTP ter negado que se tenha juntado às emissoras espanhola, eslovena, irlandesa e neerlandesa, que já declararam a sua não participação caso Israel também participe no Festival da Eurovisão.

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por

Gil Ribeiro e Beatriz Realinho

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A BDS Portugal acusa a RTP de “‘lavar as mãos’ de qualquer responsabilidade e delegar nos músicos vencedores do Festival da Canção a decisão de participar ou não na Eurovisão”, colocando nos artistas toda a pressão de uma decisão de boicote.

O movimento exige ainda “a não interferência política do governo português e do ministro Paulo Rangel na decisão da RTP” e recorda as palavras de um dos responsáveis pela participação dos Países Baixos no concurso, que em entrevista sobre o boicote afirmou que “existem circunstâncias, por exemplo em Portugal, acredito eu, em que a emissora realmente precisa de apoio político para comunicar uma decisão como essa”.

Quanto à anunciada reunião da Assembleia Geral da UER para votarem sobre a participação de Israel, que acabou por ser adiada esta terça-feira, os ativistas dizem ser “apenas mais uma manobra dilatória da UER para permitir a continuação de Israel no festival”. E lembram que contrariamente ao que dizem a RTP e a UER, não são necessárias votações para excluir a emissora israelita e a  “prova disso é que, após a invasão da Ucrânia em 2022, bastou um dia de contestação e ameaças de boicote de várias delegações para a EBU decidir excluir as emissoras russas da Eurovisão”.