Os trabalhadores da RTP contestam a decisão de Portugal se manter representado no Festival da Eurovisão e de ter aprovado as regras que mantém Israel a participar no evento do próximo ano, “apesar da continuação das ações militares em Gaza e das graves violações de direitos humanos amplamente denunciadas pela comunidade internacional".
Genocídio
Espanha, Irlanda, Eslovénia e Países Baixos saem do Festival da Eurovisão, RTP continua
Na posição citada pela agência Lusa, os trabalhadores da RTP consideram que "manter a KAN [a televisão pública israelita] no certame contribui para a legitimação e normalização de um Estado acusado de crimes de guerra" e dizem ser "incompreensível que a RTP tenha confirmado a participação de Portugal e apoiado a aprovação das novas regras que, na prática, mantêm Israel — e a KAN — na competição”, pelo que apelam à administração da empresa para rever a sua posição “e a pronunciar-se publicamente contra a participação de Israel em 2026".
Para os trabalhadores, esta é a forma de a RTP se afirmar, “sem ambiguidades, como serviço público comprometido com a ética, a coerência e os direitos humanos”.
No plenário de trabalhadores da RTP realizado esta sexta-feira em preparação da greve geral de 11 de dezembro, foi aprovada uma moção subscrita pelas duas listas que concorreram à Comissão de Trabalhadores da empresa, pela Subcomissão de Trabalhadores do Porto e por vários sindicatos, como o Sindicato dos Jornalistas, o Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações, Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e do Audiovisual, Sindicato dos Meios Audiovisuais e Sindicato Independente dos Trabalhadores da Informação e Comunicações.
Salvador Sobral apoia boicote ao Festival da Eurovisão
A posição da União Europeia de Radiodifusão foi anunciada na quinta-feira e em resposta , Espanha, Irlanda, Países Baixos e Eslovénia anunciaram o boicote ao festival. Essa é também a posição defendida pelo único vencedor português do festival, Salvador Sobral, que nessa noite participou num concerto de solidariedade com Gaza que a própria RTP irá transmitir.
"A RTP, o canal do Estado, decidiu participar na Eurovisão mesmo com a participação de Israel. Aquela expressão dar uma no cravo e outra ferradura nunca teve tanto sentido como ontem à noite. A televisão nacional transmite um concerto por Gaza e ao mesmo tempo tem medo de fazer a coisa certa”, afirmou o músico num vídeo partilhado na sexta-feira na rede social Instagram.
Para Salvador Sobral, a RTP deveria manter o Festival da Canção mas não enviar nenhum representante à Eurovisão.