O dirigente do Partido Socialista dos Trabalhadores argelino foi detido perto de sua casa, em Aokas, a 14 de dezembro. Esta não foi a primeira vez que Lyes Touati é alvo de detenção por causa da sua atividade política, mas desta vez o ridículo da acusação que lhe é feita e a moldura penal associada não têm paralelo no passado.
Segundo a campanha pela sua libertação, a acusação das autoridades argelinas só foi formulada após a pesquisa aos conteúdos do seu telemóvel, incluindo mensagens com os companheiros de partido. Lyes ficou em prisão preventiva e acusado de estar associado com um movimento secessionista da Cabília, o MAK, cujas características racistas e pró-sionistas têm sempre sido denunciadas pelo ativista.
Um dos elementos que suporta a acusação é um post no Facebook em outubro a gozar com o líder daquele movimento. Intitulada “Dedicatória a Ferhat Meheni”, Lyes Touati publicou uma fotografia da eurodeputada da França Insubmissa Rima Hassan, conhecida pela solidariedade com a Palestina e organizadora da flotilha para Gaza, vestida com um vestido tradicional da Cabília. Mas o sentido da publicação foi distorcido pela polícia, atribuindo-lhe o sentido contrário das suas posições que são bem conhecidas.
Os promotores da petição que exige a libertação imediata de Lyes e a retirada das queixas destaca a sua ligação às lutas sociais e democráticas no país e o seu compromisso constante com o antirracismo, o anti-imperialismo, o antissionismo e a solidariedade com a Palestina. O ativista vai conhecer a 30 de dezembro a decisão do tribunal que o pode manter em prisão preventiva durante muitos meses.
Denunciam também a repressão que atinge os militantes sindicais e associativos argelinos e apelam à libertação de todos os detidos políticos e de opinião.