Argélia em revolução contra o "sistema"

A Argélia vive, desde 22 de fevereiro, as maiores mobilizações da sua história recente. Milhões de pessoas, todas as sextas-feiras, manifestam coletivamente a sua vontade que se pode resumir numa palavra de ordem: “Fora o sistema”. Já conseguiram a demissão do presidente. Dossier organizado por Luis Leiria.

10 de abril 2019 - 17:00
PARTILHAR
"Fora o sistema" é o lema das mobilizações
"Fora o sistema" é o lema das mobilizações

As primeiras seis semanas de mobilização provocaram a divisão na elite dirigente, que foi resolvida quando o Exército, pressionado pelo povo nas ruas, forçou a demissão de Abdelaziz Bouteflika. Esta vitória, porém, não é senão o início, porque o sistema manobra para sobreviver. Ainda é uma incógnita qual o papel que o Exército pode vir a desempenhar neste levantamento popular antissistema. Os partidos de esquerda, como o PT e o PST, defendem a convocatória de uma Assembleia Constituinte. E as manifestações não esmorecem, contando com uma forte presença feminina. O pano de fundo é a crise económica de um país cuja economia se baseia quase exclusivamente na extração de petróleo e de gás natural. Gás de que Portugal importa, representando 50% do seu consumo. Relembre, ainda, a cronologia dos acontecimentos.