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Argélia em revolução contra o "sistema"

A Argélia vive, desde 22 de fevereiro, as maiores mobilizações da sua história recente. Milhões de pessoas, todas as sextas-feiras, manifestam coletivamente a sua vontade que se pode resumir numa palavra de ordem: “Fora o sistema”. Já conseguiram a demissão do presidente. Dossier organizado por Luis Leiria.
"Fora o sistema" é o lema das mobilizações
"Fora o sistema" é o lema das mobilizações

As primeiras seis semanas de mobilização provocaram a divisão na elite dirigente, que foi resolvida quando o Exército, pressionado pelo povo nas ruas, forçou a demissão de Abdelaziz Bouteflika. Esta vitória, porém, não é senão o início, porque o sistema manobra para sobreviver. Ainda é uma incógnita qual o papel que o Exército pode vir a desempenhar neste levantamento popular antissistema. Os partidos de esquerda, como o PT e o PST, defendem a convocatória de uma Assembleia Constituinte. E as manifestações não esmorecem, contando com uma forte presença feminina. O pano de fundo é a crise económica de um país cuja economia se baseia quase exclusivamente na extração de petróleo e de gás natural. Gás de que Portugal importa, representando 50% do seu consumo. Relembre, ainda, a cronologia dos acontecimentos.

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Resto dossier

"Fora o sistema" é o lema das mobilizações

Argélia em revolução contra o "sistema"

A Argélia vive, desde 22 de fevereiro, as maiores mobilizações da sua história recente. Milhões de pessoas, todas as sextas-feiras, manifestam coletivamente a sua vontade que se pode resumir numa palavra de ordem: “Fora o sistema”. Já conseguiram a demissão do presidente. Dossier organizado por Luis Leiria.

No cartaz lê-se: "Testei este regime e não emagreci, então mudo de regime"

Argélia: Não é senão o início

Seis semanas de mobilizações de milhões em toda a Argélia dividiram o poder e levaram à demissão do Presidente Abdelaziz Bouteflika. Neste artigo, Hocine Belalloufi analisa os meandros do processo que abala o país e abre o debate estratégico sobre as suas perspetivas.

"Pela centésima segunda vez: Fora!". Cartaz faz alusão ao artigo 102 da Constituição argelina. Foto de Nesrine Kheddache

O exército e a dinâmica do levantamento popular “antissistema”

Qual será o papel do Exército argelino, que forma a coluna vertebral do país, na transição política? Semelhante ao do exército do Egito? Ou ao de Portugal no 25 de Abril? Por Nadir Djermoune.

 

Para o PST, a hora é de auto-organização das massas populares argelinas

Por uma assembleia constituinte soberana, o combate continua!

O Partido Socialista dos Trabalhadores é um dos partidos da esquerda argelina, fundado nos anos 70 do encontro de um grupo de sindicalistas do leste do país e de um círculo de estudantes da Universidade de Argel. Reproduzimos aqui o comunicado publicado pela sua direção após a queda de Bouteflika.

Louisa Hanoune, secretária-geral do PT

Maioria do povo disse: “vão-se embora sem exceção”

Reação do Partido dos Trabalhadores (PT) da Argélia à demissão de Bouteflika.

A construção do futuro comum não pode ser feita sem uma igualdade plena e inteira entre as cidadãs e os cidadãos, sem distinção de género, de classe, de região ou de crenças. Foto de Fototeca do NPA.

Mulheres argelinas: “Reafirmamos a nossa determinação de mudar o sistema existente”

Vivemos atualmente uma magnífica sublevação popular pacífica contra o sistema político existente. A presença massiva de mulheres nas manifestações testemunha as profundas transformações da nossa sociedade e exige um reconhecimento dos direitos das mulheres numa Argélia igualitária.

Mulheres argelinas na manifestação de 8 de março em Argel. Imagem do vídeo de Drifa

Uma adesão feminina muito forte

Muitas mulheres tomaram consciência da utilidade de se organizarem em coletivos para reivindicar os seus direitos e exigir o fim do sistema existente ao lado dos seus compatriotas, como era o caso durante a guerra de libertação nacional, explica a militante feminista Titi Haddad. Entrevista de Antoine Larrache.

Poço de petróleo na Argélia. Foto de By aka4ajax, CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=57761438

Uma economia agonizante?

“A Argélia é uma economia agonizante. A tal ponto que a pergunta não é se vai quebrar ou não, mas sim quando”, escreve o Xerfi (instituto de estudos privado, especializado na análise económica sectorial em França e a nível internacional). Em 2014 especialistas tentaram reformar uma economia baseada no petróleo. Antes que o regime enterrasse as propostas que ele mesmo tinha encomendado. Por Amélie Perrot.

Sede da petrolífera Sonatrach em Oran, Argélia

Portugal importa 50% do seu gás natural da Argélia

País tem uma economia totalmente dominada pela produção e exportação de combustíveis fósseis. Petrolífera argelina é acionista da EDP.

Mobilização em Argel

Cronologia: da candidatura ao 5º mandato à demissão de Bouteflika

No dia 2 de fevereiro era anunciada a candidatura de Bouteflika ao seu 5º mandato. No dia 2 de abril, demitiu-se ainda antes de terminar o 4º. De uma data à outra, ocorreram as maiores manifestações de massas da história recente da Argélia. Que prosseguem, porque nem a demissão as acalmou.