Crise no GES: Acionistas da PT apresentam ações contra a Comissão Executiva da operadora

20 de julho 2014 - 14:21

Acionistas da PT que se sentem lesados com a aplicação de 897 milhões de euros na Rioforte, do Grupo Espírito Santo (GES), vão apresentar duas ações contra a Comissão Executiva da operadora, segundo avança Octávio Viana, presidente da Associação de Investidores do Mercado de Capitais, citado pela agência Lusa.

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Foto de Paulete Matos.

Os acionistas consideram que existiu "violação grave dos deveres fundamentais da gestão" pelo que pretendem dar entrada, nos próximos dias, de duas ações contra a Comissão Executiva da PT no Tribunal de Comércio de Lisboa e na Justiça Cível.

Se, por um lado, a ação a ser entregue no Tribunal de Comércio de Lisboa respeita aos "danos" causados aos acionistas pela aquisição de 897 milhões de euros de papel comercial da Rioforte, do grupo GES, por outro lado, a ação na Justiça cível visa apurar a "responsabilidade civil" dos membros da Comissão Executiva naquele ato de gestão.

Segundo o presidente da Associação de Investidores do Mercado de Capitais, Octávio Viana, citado pela agência Lusa, em causa estão meia centena de acionistas, que consideram que houve uma "violação grande e grave dos deveres fundamentais da gestão" por parte da Comissão Executiva da PT, nomeadamente por não ter sido feita uma "correta repartição de riscos" na aplicação em causa.

As ações judiciais deverão, contudo, ser subscritas por um número inferior de acionistas, por forma a agilizar os processos.

"É impensável que uma gestão cuidadosa, criteriosa, diligente e com conhecimento técnico aplique 40 por cento da liquidez da empresa (PT) em 2013 e aproximadamente 50 por cento da sua capitalização em bolsa numa única entidade (Rioforte), desrespeitando assim qualquer regra prudencial de repartição dos riscos", frisou Octávio Viana em declarações à agência Lusa.

Para o responsável da Associação de Investidores do Mercado de Capitais, a Comissão Executiva da PT, presidida por Henrique Granadeiro,"tão-pouco observou a probabilidade de incumprimento, vezes o impacto desse incumprimento", pelo que "não atuou com a lealdade a que estava obrigado para com a sociedade e, consequentemente, para com os acionistas".

Além do mais, acrescentou, a aplicação de 897 milhões de euros incidiu numa entidade que é "parte relacionada", pois indiretamente (através do GES) detém cerca de 10 por cento da PT.

Por enquanto, não haverá lugar a queixa-crime, estando, contudo, o Ministério Público a investigar o caso.

Entre os acionistas lesados encontram-se pessoas que estão a perder valores entre os 500 e 1.000 euros, mas também acionistas e empresas que estão a perder 300 a 400 mil euros com a queda das ações da PT.

Segundo Octávio Viana, um Fundo de Investimento nos EUA está a perder milhões de euros com as ações da PT, ponderando avançar com uma ação nos tribunais norte-americanos. Entre os acionistas lesados encontram-se ainda dois investidores chineses.