CP envia para Espanha material ferroviário que pode ser reparado no Entroncamento

13 de junho 2020 - 14:07

A denúncia é do sindicato dos trabalhadores ferroviários da CGTP que aponta que no Entroncamento, na oficina de rodados e bogies, há falta de trabalho, enquanto a empresa acumula rodados “em lista de espera” por falta de material.

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Rodados e bogies podem ser reparados no Entroncamento, diz sindicato - Foto de SNTSF
Rodados e bogies podem ser reparados no Entroncamento, diz sindicato - Foto de SNTSF

O sindicato nacional dos trabalhadores do sector ferroviário (SNTSF), filiado na CGTP, denuncia ainda que nem sequer há encomenda dos materiais necessários por parte da logística.

“Sabemos que a Empresa podia colocar os trabalhadores a reparar outras unidades, falamos concretamente das unidades UQE 3500”, afirma o sindicato, considerando inadmissível que a CP, “com o know how reconhecido aos seus trabalhadores”, esteja a enviar para Espanha material, nomeadamente bogies e rodados, que podiam ser reparados pela empresa. Os representantes dos trabalhadores ferroviários consideram que está a haver má gestão na CP, uma vez que se está a entregar a outro país e outra empresa, trabalhos que poderiam ser feitos em Portugal.

O SNTSF diz ainda que chegaram no início do mês, após quase um ano de espera, rodados e bogies que foram enviados para serem reparados em Espanha e pergunta:

  • “será que o contrato celebrado previa tanto tempo de espera?

  • não poderiam os trabalhadores da CP realizar o mesmo trabalho, em menos tempo, com igual ou maior qualidade e menores custos, elevando o nível de empregabilidade e dinamizando a economia do nosso país?”

O sindicato critica a contratação constante de prestadores de serviços, quando a empresa tem capacidade para realizar o trabalho, espera “que os Bogies de UTE 2240 não sigam o mesmo caminho” e informa que enviou ao presidente do Conselho de Gerência da CP, sobre o assunto.

Por fim, o SNTSF lembra que há anos aponta que existem condições para que os comboios sejam reparados, recuperados e até construídos pelos trabalhadores da CP nas oficinas da empresa. E sublinha que o governo tem dito que essas condições existem, reconhecendo, pelo menos implicitamente, o que o sindicato afirma há muito.

O sindicato salienta, no entanto, que para a recuperação e reparação dos comboios seja feita, são necessários investimentos de continuidade na aquisição de equipamentos e ferramentas, assim como na melhoria das infraestruturas. Igualmente necessária é a contratação e formação de trabalhadores, que devem ter salários dignos.

Bloco questionou Governo sobre contratação de empresa estrangeira

O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda questionou o ministro das Infraestruturas e da Habitação acerca das denúncias apresentadas pelo sindicato. "A contratação de prestadores de serviços, quando a empresa tem capacidade para realizar o trabalho, é, segundo o sindicato, uma situação constante na empresa", afirma a deputada bloquista Isabel Pires nas questões dirigidas a Pedro Nuno Santos.

"Este grupo parlamentar defende o investimento na ferrovia a nível nacional, daí que, naturalmente, devem ser criadas as condições para o desempenho das atividades de reparação, recuperação e construção de comboios", prossegue a deputada, antes de questionar o ministro sobre que medidas irá tomar "para evitar novas contratações a empresa estrangeiras de serviços de reparação, recuperação e construção de comboios, quando há capacidade para exercer as funções internamente".


Notícia atualizada a 16 de junho com a pergunta do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda ao Governo.