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Covid-19: OMS alerta para transmissão através do ar, EUA formalizam saída da organização

Em plena pandemia, Donald Trump concretizou a ameaça de retirar os EUA da Organização Mundial de Saúde, que acusa de gerir mal a crise de covid-19. Tudo isto ocorre numa altura em que a OMS admite a possibilidade de transmissão pelo ar.
Embora as novas infeções estejam a aumentar, o número de mortes por covid-19 aparenta ter estabilizado.
Embora as novas infeções estejam a aumentar, o número de mortes por covid-19 aparenta ter estabilizado. Fotografia de Pedro Gomes Almeida.

Depois de o ter ameaçado, Donald Trump concretizou a decisão de retirar os Estados Unidos da América da Organização Mundial de Saúde (OMS). O Presidente dos EUA acusa a organização de gerir mal a pandemia de covid-19.

Várias fontes da Casa Branca e senadores do Partido Democrata alegam que o processo de saída da OMS já começou, embora na prática a saída só ocorra dentro de um ano, em julho de 2021. 

Fonte da agência de notícias espanhola Efe afirma que “o aviso da saída dos Estados Unidos, que se tornará efetiva em 6 de julho de 2021, foi enviado ao secretário-geral da ONU [António Guterres], que é o depositário da OMS”, cita em Portugal a agência Lusa.

No passado mês de maio Trump já tinha ameaçado sair da organização. Alegava então que a OMS não soubera responder de forma eficaz ao seu apelo para introduzir alterações no seu modelo de financiamento. Antes disso, a ameaça era de que cortaria o financiamento do país a este órgão das Nações Unidas, uma vez que este seria demasiado “benevolente” com a China. Nessa altura, Trump suspendeu temporariamente o financiamento à OMS, no valor que está estimado em cerca de 400 milhões de euros anuais, o que corresponde a 15% do orçamento da organização. 

Transmissão pelo ar é uma possibilidade

Esta saída acontece em plena pandemia e numa altura em que as incertezas sobre o vírus, o seu modo de transmissão e impactos a médio e longo prazo na saúde continuam elevadas. 

Recentemente, um grupo de 239 cientistas divulgou uma carta aberta na qual alertava para a possibilidade de pequenas partículas do novo coronavírus presentes no ar serem suficientes para infetar pessoas. Face a isto, a OMS veio agora publicamente admitir que existem novas provas que sugerem a possibilidade deste se transmitir pelo ar, pelo que reforçou as recomendações para que se evitem espaços fechados e se use máscara. 

“A transmissão pelo ar é uma das formas de transmissão, é importante adotar medidas para evitar essa transmissão. Daremos mais informação assim que estiver disponível”, explicou Maria Van Kerkhove, uma das epidemiologistas responsáveis na OMS pela luta contra a pandemia, numa conferência de imprensa virtual. 

Também em conferência de imprensa, Tedros Adhanom Ghebreyesus lembrou que “o surto está a acelerar claramente e ainda não alcançamos o pico da pandemia”. Só no último fim de semana foram registados 400 mil novos casos de infeção. 

E a pandemia do novo coronavirus tem um impacto não só em quem é infetado. Também outras doenças, nomeadamente no VIH, estão a sofrer o impacto: a distribuição de medicação antirretroviral diminuiu, algo que pode criar resistências entre as pessoas que vivem com VIH, e a distribuição de preservativos diminuiu ou simplesmente parou em muitas regiões do globo, o que poderá levar a um aumento de novas infeções. 

Os números de mortes por covid em todo o mundo está a diminuir, algo que os especialistas atribuem ao esforço de alguns governos para proteger as populações mais vulneráveis. Em abril, o número de mortes diárias por covid 19 alcançava os 6 mil. Agora a média mantem-se estabilizada desde maio nos 5 mil. Em termos de novas infeções, a média diária ronda as 200 mil.

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