Controlo algorítmico tem efeitos nocivos na saúde dos trabalhadores

12 de novembro 2021 - 8:57

O recurso a inteligência artificial para monitorizar a performance dos trabalhadores está a ter efeitos diretos na saúde mental e física. Deputados britânicos propõem regular a utilização de algoritmos “para assegurar que a inteligência artificial coloca as pessoas em primeiro lugar”.

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“A utilização de vigilância algorítmica, bem como tecnologias de gestão e monitorização que assumem funções de aconselhamento, além das funções tradicionais, aumentou significativamente durante a pandemia”. Foto de Jose Jacome, via EPA/Lusa.
“A utilização de vigilância algorítmica, bem como tecnologias de gestão e monitorização que assumem funções de aconselhamento, além das funções tradicionais, aumentou significativamente durante a pandemia”. Foto de Jose Jacome, via EPA/Lusa.

A monitorização dos trabalhadores e dos objetivos do seu trabalho através de algoritmos está a pôr em causa a saúde mental dos trabalhadores e, por isso, é necessária nova legislação. A conclusão é de um grupo de parlamentares do Reino Unido que querem avançar com uma proposta de lei pela “responsabilização dos algoritmos”.

A proposta pretende obrigar as empresas a avaliar o efeito de regimes de avaliação da performance dos trabalhadores, tais como a monitorização de filas nos supermercados ou número de entregas por hora para trabalhadores de entregas.

“Monitorização invasiva e tecnologias de definição de objetivos, em particular, estão associadas a extensos impactos negativos na saúde mental e física dos trabalhadores colocados sobre pressão constante, micro-gestão em tempo real e avaliação automatizada”, concluem os deputados no relatório publicado esta quinta-feira: New Frontier: Artificial Intelligence at Work.

O relatório recomenda a implementação de nova legislação que determinaria uma “direção clara para assegurar que a inteligência artificial coloca as pessoas em primeiro lugar”. E avisa que “a utilização de vigilância algorítmica, bem como tecnologias de gestão e monitorização que assumem funções de aconselhamento, além das funções tradicionais, aumentou significativamente durante a pandemia”.

No documento, os deputados concluíram que o recurso a inteligência artificial produziu uma sensação de injustiça e falta de autonomia entre os trabalhadores, que também não são informados do impacto de informação pessoal na avaliação do seu trabalho.

A nova lei asseguraria o direito dos trabalhadores a terem um papel na definição dos algoritmos utilizados, nomeadamente na definição dos critérios de atribuição de trabalho, turnos ou pagamento.

O relatório recomenda igualmente que as empresas e o setor público publique avaliações de impacto da utilização de algoritmos, de forma a detetar problemas e necessidade de nova regulamentação.

O nosso inquérito revela a forma como as tecnologias de inteligência artificial se expandiram além da economia digital para controlar o quê, quem e como o trabalho é realizado. É claro que, se não forem regulados, os sistemas algorítmicos terão efeitos negativos na saúde e prosperidade”, disse David Davis, deputado conservador.

O deputado trabalhista Clive Lewis afirmou que “o relatório demonstra porque razão e como o Governo tem de avançar com propostas robustas para regular a inteligência artificial. Há lacunas extensas na regulação a nível individual e empresarial que estão a afetar negativamente as pessoas e comunidade em todo o país”.