Na madrugada de 10 de Junho de 1995, Alcindo Monteiro foi assassinado por um grupo de skinheads de extrema-direita quando passava na Rua Garrett, junto ao Bairro Alto lisboeta. Este crime de ódio racista que chocou o país há exatamente 30 anos foi lembrado esta terça-feira numa manifestação antirracista com início no local do assassinato.
Centenas de pessoas juntaram-se á manifestação convocada pelo movimento Vida Justa e a Frente Anti-racista, pelas ruas do centro de Lisboa, entoando palavras de ordem contra o racismo e a xenofobia, mas também contra o genocídio em curso na Faia de Gaza.
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Presente na manifestação, a dirigente bloquista Joana Mortágua lembrou que há 30 anos “Alcindo Monteiro saiu para se divertir com os amigos e nunca mais voltou. Foi assassinado pela violência racista, foi vítima de um crime de ódio. Por isso é bom lembrar que da história de Portugal também faz parte o combate antirracista e as vítimas do ódio racista”, tal como as lutas pelas independências e pela democracia.
“Num tempo em que crescem os fundamentalismos e os extremismos, é bom lembrar que estes extremismos discursivos contra o outro, nunca são só palavras. Eles legitimam atos como aquele que assassinou Alcindo Monteiro. O ódio só provoca violência”, prosseguiu Joana Mortágua, acrescentando que “contra o racismo e a violência tem de se levantar um muro de decência, de defesa dos direitos humanos, um muro que queremos que seja de uma grande comunidade, com uma grande diversidade para dizer que a violência não avança”.