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Inaugurada em Lisboa placa de homenagem a Alcindo Monteiro

Placa de homenagem foi inaugurada na rua onde Alcindo foi assassinado há 25 anos. Todos os condenados pelo seu homicídio já se encontram em liberdade, e vários estão novamente a contas com a justiça por crimes de natureza racista e homofóbica.
Placa de homenagem a Alcindo Monteiro - Foto esquerda.net
Placa de homenagem a Alcindo Monteiro - Foto esquerda.net

A Câmara Municipal de Lisboa inaugurou uma placa em homenagem a Alcindo Monteiro na Rua Garret, local onde este foi assassinado há 25 anos, num crime de ódio racista. O executivo camarário procurou afirmar os “valores antirracistas” da cidade.

Manuel Grilo, vereador com o pelouro da Educação e dos Direitos Sociais eleito pelo Bloco de Esquerda, explicou em declarações à Lusa que este é o momento certo para colocar uma placa que assinala o “bárbaro assassinato” e recordar que os “atos racistas são intoleráveis para a sociedade portuguesa em geral”.

“É um significado – para nós – muito importante a colocação desta placa evocativa deste assassinato, no centro da cidade, por motivos exclusivamente racistas. É o momento certo, aliás, tendo em conta que alguns assassinos de Alcindo Monteiro estão hoje ativos politicamente e estão hoje a agir politicamente”, disse.

Em 1995, na madrugada de 10 para 11 de junho, um grupo de cerca de 50 ‘skinheads’ invadiu as ruas do Bairro Alto, em Lisboa, e atacou com violência várias pessoas. Onze foram julgados e condenados por homicídio, seis foram condenados por agressões e dois foram absolvidos.

Atualmente, todos os condenados pela sua morte já estão em liberdade, mas outra vez a contas com a justiça. Entre os 37 neonazis constituídos arguidos pelo Ministério Público suspeitos de agressões violentas e tentativas de homicídio contra afrodescendentes e homossexuais, cinco foram condenados pelo assassinato de Alcindo Monteiro.

“Aqueles que, por motivos exclusivamente racistas, assassinaram barbaramente Alcindo Monteiro são hoje agentes políticos e estão ao serviço da extrema-direita e estão hoje ao serviço do racismo organizado num partido político”, realçou Manuel Grilo, ressalvando que “Lisboa é uma cidade assumidamente antirracista e não podia deixar de evocar a memória de Alcindo Monteiro”. O vereador fez questão de salientar que esta é também uma forma de combate ao racismo e ao populismo.

Condenados pela morte de Alcindo "passam a vida a ser branqueados nas nossas televisões"

Entre os presentes na cerimónia esteve José Falcão, dirigente do SOS Racismo. À Lusa, o ativista antirracista afirmou considerar “muitíssimo importante” que a extrema direita seja “lembrada também pelos atos que fez e pelo que continua a fazer”, observou.

O dirigente do SOS Racismo defendeu ainda que lembrar a memória de Alcindo Monteiro é lembrar as pessoas que o mataram, acusando as televisões de os branquear.

“Hoje passam a vida a ser branqueados nas nossas televisões, levando estes assassinos a falarem em programas de grande audiência como se nada tivesse passado, como se nada estivesse a passar, isto é que é grave”, apontou.

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