Encontro

Sindicalistas discutem contratação coletiva na Europa

24 de abril 2026 - 16:36

Iniciativa do grupo da Esquerda no Parlamento Europeu, promovida por Catarina Martins e partidos de esquerda nórdicos, juntou esta semana em Bruxelas ativistas e dirigentes sindicais e de comissões de trabalhadores.

PARTILHAR
Maria a Paz Campos Lima e Catarina Martins na sessão em Bruxelas com ativistas sindicais e de CT
Maria a Paz Campos Lima e Catarina Martins na sessão em Bruxelas com ativistas sindicais e de CT. Foto The Left.

No passado dia 22, ativistas e dirigentes sindicais e de comissões de trabalhadores participaram numa iniciativa do grupo da Esquerda no Parlamento Europeu, promovida por Catarina Martins e partidos de esquerda nórdicos. À margem dessa iniciativa, decorreu também uma discussão sobre o contexto em Portugal, o pacote laboral e a ameaça que representa para o trabalho e o sindicalismo.

No evento organizado pelo grupo da Esquerda, foram partilhadas várias experiências positivas sobre contratação coletiva e direitos dos trabalhadores, nomeadamente em relação às condições conquistadas pelos trabalhadores da Autoeuropa, a semana de 4 dias em serviços municipais de uma autarquia no Reino Unido, mecanismos para assegurar contratação coletiva de trabalhadores migrantes na Dinamarca, organização e conquistas legais dos estafetas em Espanha ou a mobilização de jovens na luta por estagiários pagos na Polónia. Depois da apresentação destes bons exemplos, oradores e público debateram as lições que podemos retirar destas experiências e os novos problemas e desafios que se colocam ao futuro da contratação coletiva. A investigadora portuguesa Maria da Paz Lima falou das várias ofensivas contra os direitos do trabalho e das lições que podemos tirar dos bons exemplos apresentados e Catarina Martins da força destes exemplos na reação à política xenófoba e de divisão de trabalhadores para travar a ofensiva contra os salários.

Nesta iniciativa, participaram dirigentes várias sensibilidades sindicais, da CGTP, UGT e sindicatos independentes, bem como das Comissões de Trabalhadores da Autoeuropa, Bosch e RTP. Participaram também ativistas e dirigentes sindicais dos setores dos metalurgia e outras indústrias, energia e água, transportes, ferrovia, aviação, correios, telecomunicações, audiovisual, espetáculos, músicos, vigilantes, limpezas, professores, investigadores, médicos, enfermeiros, solidariedade social, funcionários judiciais, comércio e serviços.

A enorme variedade de setores representados permitiu debater, não apenas os problemas da contratação coletiva nos vários setores, mas também a centralização e representatividade na contratação coletiva, a precariedade e a integração dos trabalhadores migrantes, o trabalho de plataformas, a automação e inteligência artificial, entre outros assuntos.

O pano de fundo de todas estas discussões foram as alterações constantes no pacote laboral. A rejeição completa da proposta do governo foi unânime entre todos os sindicalistas presentes e as consequências da sua aprovação foram discutidas, no plano geral dos direitos dos trabalhadores, mas também especificamente no impacto que teriam na contratação coletiva e no próprio futuro dos sindicatos.

O encontro terminou no dia 23, dia em que o secretariado da UGT decidiu por unidade rejeitar o pacote laboral. Vários ativistas sublinharam a importância de mais encontros em que sindicalistas e outros ativistas do trabalho de diferentes correntes políticas possam debater as suas perspetivas e a importância de uma ação unitária e concertada.

Catarina Martins deixou o compromisso do Bloco para com a luta contra o pacote laboral e também para a realização de mais iniciativas com estas características, de forma a reforçar à esquerda o diálogo entre partidos e sindicatos.