Contas de Moedas não respondem à crise na habitação, Bloco vota contra

26 de abril 2023 - 21:53

Para a vereadora bloquista, as "afirmações de propaganda" de Carlos Moedas "não sobrevivem aos factos plasmados" nas contas da Câmara e das empresas municipais. Lisboa vai gastar este ano nas Jornadas Mundiais da Juventude e na Websummit o equivalente à despesa de quatro anos com os bairros municipais.

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Carlos Moedas.
Carlos Moedas. Foto CML/Facebook

O Bloco de Esquerda votou contra as contas da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e das empresas municipais, justificando a decisão por ver que "apesar de um aumento expressivo de receitas, a prioridade não foi a habitação e a mobilidade".

Já em setembro de 2022 o Bloco de Esquerda tinha avisado que a CML estava a ter bons resultados económicos e tinha exigido com uma proposta formal a mobilização desses bons resultados para combater a crise da habitação. "Num momento de crise de habitação e de aumento do custo de vida das famílias é inaceitável que a CML se gabe de ter excedente orçamental sem ter feito os investimentos necessários", diz a vereação bloquista em comunicado.

Por exemplo "na Sociedade de Reabilitação Urbana vemos o abandono dos Programas de Renda Acessível de Benfica, Parque das Nações e Restelo", significando uma perda de 1383 casas para "combater a crise da habitação e a especulação imobiliária", afirmou a vereadora Beatriz Gomes Dias.

Sobre as más condições dos bairros municipais, a vereadora declarou ser inaceitável que "os elevadores não funcionem, os prédios não fechem, que exista entulho por todo o lado, as casas estão cobertas de bolor e o executivo diz que está tudo a ser corrigido. Há uma descoincidência entre estas afirmações e a realidade concreta das pessoas que vivem no Bairro da Boavista, do Condado, da Cruz Vermelha e de muitos outros, que estão em péssimas condições". Só em 2023 a CML irá gastar tanto com JMM e Websummit como em 4 anos com os bairros municipais.

Na mobilidade, a vereadora Beatriz Gomes Dias exigiu esclarecimentos sobre a deterioração do serviço da Carris: "Os autocarros estão sistematicamente sobrelotados, os trajetos mais procurados são conhecidos, mas não são reforçados" e a compra de novos autocarros a gás e não elétricos mantém a dependência nos combustíveis fósseis. Sobre a EMEL, a vereadora disse "ser incompreensível que a EMEL tenha dúvidas de como implementar as ciclovias e a rede Gira, quando todos os meses são batidos recordes de utilizadores de bicicletas em Lisboa".

Relativamente à EGEAC, a vereadora do Bloco de Esquerda pediu esclarecimentos sobre a precariedade na empresa e subcontratações, nomeadamente do sistema de bilhética da Meo no Castelo de S. Jorge, questões que tinham sido colocadas por escrito em novembro de 2022, sem resposta por parte da vereação e empresa municipal.

Quanto à saída de dezenas de pessoas do quadro de pessoal da EMEL e da EGEAC no último ano, o Bloco atribui-a à "má política de recursos humanos e os problemas de precariedade" nessas empresas.