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Vereadora do Combate à Corrupção queria aprovar hotel de luxo de Isabel dos Santos

Projeto denunciado por Mariana Mortágua por pertencer à milionária alvo da justiça angolana e portuguesa foi proposto em reunião de Câmara de Lisboa. Face à polémica, Moedas recuou durante a reunião.
Carlos Moedas e Joana Almeida. Foto Camara Municipa de Lisboa

A denúncia tinha sido feita por Mariana Mortágua à CNN: a empresa H33, que entregou um projeto de tranformação de um prédio na Avenida Alexandre Herculano, em Lisboa, num aparthotel de cinco estrelas, teria como beneficiária efetiva Isabel dos Santos, a filha do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos que dirigiu a Sonangol e está a contas com a justiça em vários países. Trata-se de uma empresa "que não publica as suas contas desde 2018 e é detida por um conhecido testa-de-ferro de Isabel dos Santos em Portugal", afirmou a deputada do Bloco. Trata-se de Vasco Rites, um nome ligado aos negócios da empresária angolana na última década.

Esta quinta-feira, o Expresso confirmou junto do Registo Central de Beneficiários Efectivos que Isabel dos Santos é proprietária a 100% da Historicorner - Lda, uma companhia que, por sua vez, detém a totalidade do capital social da H33 - Sociedade Imobiliária, Lda., a empresa dona do edifício do hotel e proponente do projeto de arquitetura. Vasco Rites foi gerente da Historicorner até poucas semanas antes da divulgação do "Luanda Leaks", que revelou a dimensão do desvio de fundos públicos por parte de Isabel dos Santos.

"Uma vez que os bens de Isabel dos Santos foram arrestados, entendemos que é necessário investigar este caso e que não pode ser concedida qualquer autorização antes que este caso seja esclarecido", defendeu Mariana Mortágua.

A proposta de aprovação do projeto chegou à mesa dos vereadores com a assinatura de Joana Almeida, a vereadora do Urbanismo e da Transparência e Combate à Corrupção, eleita como independente pela coligação da direita. Mas acabou por não ser votada esta quarta-feira, dada a desconfiança entretanto gerada sobre a origem do projeto que obrigou Carlos Moedas a retirá-la da discussão na reunião privada do executivo camarário.

Segundo o gabinete da vereadora Joana Almeida, citado pela CNN, “os serviços de Urbanismo não têm competências para avaliar a idoneidade de cada requerente e também não exercem o poder judicial de investigação de qualquer requerente”. Por sua vez, o gabinete da vereadora do Bloco, Beatriz Gomes Dias, considera "muito estranho" o agendamento da proposta e considera "mau sinal" se a vereadora da Transparência a apresentou sem fazer ideia de quem era o promotor, e "ainda mais grave" caso soubesse de quem se tratava.

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