A onda de violência está a aumentar na Cisjordânia após a incursão militar israelita ao campo de refugiados de Jenin que deixou sete mortos e dezenas de feridos na segunda-feira. No dia seguinte, elementos do Hamas atacaram um posto de combustível e mataram a tiro quatro pessoas, afirmando tratar-se da represália pelo massacre da véspera.
Segundo a BBC, este ataque do Hamas levou os governantes da coligação da extrema-direita israelita a defenderem uma operação militar em grande escala na Cisjordânia, com um deputado a apelar à "punição coletiva" dos palestinianos. Apelos que encontraram eco na quarta-feira junto dos colonos, com cerca de 400 a invadirem a cidade de Turmus Ayya, conhecida pelos seus laços aos EUA, com muitos dos habitantes a terem dupla nacionalidade.
Os atacantes apontaram armas de fogo aos moradores e destruíram e incendiaram as casas e automóveis que foram encontrando pelo caminho. Segundo relatos recolhidos pela BBC, as forças do exército israelita apareceram passados 45 minutos, deixando o caminho aberto aos colonos na sua marcha de destruição.
Uma moradora contou que estava numa consulta médica quando recebeu o telefonema dos seus filhos em pânico. "Os meus filhos estavam escondidos na cave... disseram que os colonos estavam a atacar-nos e a partir as janelas. Atiraram cocktails Molotov para queimar a casa com eles lá dentro. Conseguiram escapar pela varanda enquanto os colonos rondavam a casa. Graças a Deus os jovens acorreram para ajudar".
Vários moradores tentaram enfrentar a violência dos colonos e um deles acabou morto a tiro pela polícia de fronteira paramilitar israelita. Na versão desta polícia, os seus elementos estavam a proteger os bombeiros quando os moradores se amotinaram, tendo um dos polícias disparado contra um homem de 27 anos que tinha aberto fogo. Quanto ao ataque dos colonos, os militares israelitas dizem que vão abrir um inquérito.
Noutro ataque violento dos colonos israelitas na Cisjordânia, desta vez na vila de Al-Lubban Al-Sharqeya, perto de Nablus, os moradores acusam a polícia de nada ter feito para impedir um grupo de colonos de incendiar um posto de gasolina, pomares, uma fábrica de cimento e dezenas de automóveis.
Estes ataques não são uma novidade este ano e têm aumentado desde a entrada em funções do Governo liderado por Netanyahu na base de uma coligação que junta nacionalistas e ultrareligiosos. No início de março, um ataque semelhante de colonos à cidade de Huwara foi apelidado de tentativa de limpeza étnica e resultou num morto e dezenas de feridos entre os moradores.
Na noite desta quarta-feira, o exército israelita usou pela primeira vez desde 2006 um drone na Cisjordânia para fazer explodir um automóvel perto de Jenin, onde viajavam dois membros da Jihad Islâmica da Palestina e um membro da Brigada dos Mártires de Al-Aqsa, o braço armado da Fatah. O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, diz que se tratavam de terroristas e o exército afirma que estiveram envolvidos em tiroteios na região. A Jihad Islâmica avisou os responsáveis israelitas que irão "arcar com a responsabilidade pela sua decisão estúpida de atacar estes três operacionais e... ficarem com os seus corpos".