"Continuaremos a navegar para Gaza até que a Palestina seja livre", foram as palavras que os ativistas prenderam aos postes de luz à frente da Assembleia da República. Muitas centenas de pessoas encheram o largo em frente ao Palácio de São Bento para protestar contra a interceção do barco Madleen, que viajava com ajuda humanitária, por parte das forças militares israelitas.
Na noite de domingo, a embarcação com bandeira britânica foi abordada em águas internacionais por forças militares israelitas. A bordo estavam a ativista Greta Thunberg, a eurodeputada franco-palestiniana Rima Hassan, da França Insubmissa, e mais 10 ativistas que foram detidos, e cujos equipamentos eletrónicos foram atirados borda fora.
Face a mais uma transgressão da lei internacional, os movimentos pela defesa da Palestina em Portugal e na Europa convocaram manifestações espontâneas para esta segunda-feira. Ao Esquerda.net, a ativista Júlia Branco explicou que esta concentração, como todas as outras que têm acontecido, "são para denunciar o genocídio na Palestina".
Flotilha da Liberdade
Tropas israelitas assaltaram barco solidário a caminho de Gaza
"Este foi apenas mais um dos crimes que Israel tem vindo a cometer contra a humanidade", disse a ativista. "Repercussões internacionais é o mínimo. Raptaram doze pessoas que não tinham armas e foram numa missão pacífica de entregar ajuda humanitária".
A ativista diz que "estão a haver manifestações pelo mundo todo", não só por este caso em específico mas pelo fim do genocídio em Gaza. E por isso, Júlia espera "que as pessoas saiam à rua e que exijam que esta violência absurda pare".
A eurodeputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, esteve presente na concentração, onde disse que a grande importância desta tentativa de chegar a Gaza pelo mar é "mostrar o que os Governos todos deviam estar a fazer".
"Precisávamos de ter barcos no Mediterrâneo de todos os governos a tentar levar ajuda humanitária a Gaza, e os governos não fazem nada", disse. "Estão a deixar as pessoas morrer à bomba, à fome, à doença".
Catarina Martins lembrou que Rima Hassan é sua companheira de bancada no Parlamento Europeu e que esteve a acompanhar a situação em direto com ela "até ao momento em que as tropas israelitas entraram no barco". Neste momento, "ninguém consegue contactar aquelas pessoas" e a eurodeputada lamenta que "não vemos nem os governos nem as instituições europeias a dizer nada". Catarina Martins considera que "a impunidade de Israel só está a fazer aumentar a violência contra o povo palestiniano".
Duas horas depois do início da concentração, pelas 20h, ainda se grita bem alto em frente à Assembleia da República. Entre os cânticos ouve-se: "Abaixo o sionismo que vai cair / E viva a Palestina a resistir".