Catarina: “Os vistos gold têm de acabar porque só servem o crime”

12 de dezembro 2021 - 12:36

A coordenadora do Bloco afirmou este domingo que, “se ficamos chocados com a forma como João Rendeiro fugiu", então temos de acabar com a legislação que, no nosso país, "permeia este tipo de crimes, e isso é criminalizar as transferências para offshores e acabar com os vistos gold”.

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Durante uma visita à feira mensal do Pinhal Novo, com Joana Mortágua e Diana Santos, Catarina Martins afirmou que “a detenção de João Rendeiro é muito importante, é um trabalho da Polícia Judiciária que deve ser saudado”.

Mas, por outro lado, realçou que “também temos de perguntar como é que foi possível não só o percurso de João Rendeiro, e a forma como o sistema financeiro funcionou, mas como é que ele fugiu, o que é que estava a pensar fazer”.

“Na verdade, foge com contas offshore, e é preciso agir sobre isso, já o disse ontem. Portugal não pode acabar com os offshores em todo o mundo, mas podemos criminalizar as transferências para offhores”, reafirmou a coordenadora do Bloco. Por outro lado, Catarina Martins avançou que temos de perguntar se Portugal também tem o esquema que João Rendeiro pretendia utilizar para fugir à justiça.

“Tudo o que sabemos é que João Rendeiro estava a tentar uma espécie de visto gold na África do Sul. Ou seja, com os offhores escondem-se milhões e com os vistos gold os milhões podem comprar uma nova cidadania, uma nova residência longe da justiça”, assinalou a dirigente bloquista.

De acordo com Catarina Martins, “Portugal tem de agir”: “Não podemos deixar os milhões saírem, e, por isso, é importante criminalizar os offshores. Mas também não podemos aceitar que quem cometeu crimes de milhões venha para o nosso país comprar o direito a cá estar, e por isso é preciso acabar com os vistos gold”, frisou.

A coordenadora do Bloco lembrou que “a lei mudou, os vistos gold são mais restritos, teoricamente, a partir do dia 1 de janeiro, dizendo-se que não pode ser nas cidades do litoral. Mas, na realidade, os fundos imobiliários já estão a arranjar forma de contornar a lei e, em vez de venderem imóveis, vendem participações em fundos que detêm os imóveis ou vendem casas como se fossem hotéis ou alojamentos locais”.

“Não há boa forma de olhar para os vistos gold, eles têm de acabar porque só servem o crime. E se nós ficamos chocados com a forma como João Rendeiro fugiu, então, no nosso país, temos de acabar com a legislação que permeia este tipo de crimes, e isso é criminalizar as transferências para offshores e acabar com os vistos gold”, realçou.

Catarina Martins alertou que “as leis continuam a proteger os criminosos”.

“Continuar a deixar que a banca atue com a opacidade com que tem atuado, dar todos os passos para permitir que os fundos atuem como têm atuado, permitir transferências para offshores, ter esquemas que só promovem o crime económico e a corrupção como os vistos gold, tudo isso, é a lei a ajudar os criminosos em vez de apoiar a justiça e a polícia”, referiu.

E é por isso que o Bloco tem defendido que, “se é essencial aumentar os meios da justiça, isso não chega. Precisamos também de alterar a legislação”.