“Temos de perseguir e capturar o dinheiro criminoso como a PJ perseguiu e capturou João Rendeiro”

11 de dezembro 2021 - 18:49

Sublinhando que se João Rendeiro estava num ‘resort’ de luxo, “é porque tinha contas ‘offshore’ que lhe permitiram fugir”, Catarina Martins afirmou que “é preciso travar esta fuga dos grandes para que possamos pagar os serviços fundamentais a todos”.

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Durante um comício na Lagoa, Catarina Martins lembrou que, em 2008, João Rendeiro “lançava um livro ‘Testemunhos de um banqueiro’, onde explicava como tinha feito o seu percurso quase do nada até ao topo da finança”.

“No dia do lançamento houve um pequeno percalço, foi no dia em que se soube que o BPP, por acaso, precisava de 750 milhõezitos do Estado. Mas, enfim, quem faz grandes feitos tem também alguns percalços”, continuou a coordenadora bloquista.

Em 2014, o BPP “já tinha ido ao charco, o Estado já pagava prejuízos. Mas este homem, que foi sempre um exemplo, esteve nas televisões, nos comentários a dizer ao país como devia ser, vem também em 2014 lançar ‘Arma Crítica’”, com prefácio de David Justino, em que “explicava ao país como se tinha respondido mal à crise financeira e que ele sabia como teria sido uma boa resposta”, referiu Catarina martins.

A dirigente do Bloco continuou a dissecar o percurso bibliográfico do banqueiro que, este ano, “já depois de condenado, ainda assim, lançou o livro ‘Em defesa da honra’, para mostrar que, afinal, o problema era mesmo a justiça e como era um homem injustiçado”.

“Depois deste percurso glorioso, e em que foi sempre tão apoiado pelo regime, estava a passar um fim de ano tranquilo num ‘resort’ de luxo, como merecia e, infelizmente, a PJ bateu-lhe à porta esta madrugada”, ironizou Catarina Martins.

“A PJ fez o seu trabalho e hoje é dia de saudar a polícia e a forma como faz o seu trabalho. Mas também é dia de dizer mais. A PJ fez o seu trabalho, mas o Parlamento também tem de fazer o seu, porque se João Rendeiro estava num ‘resort’ de luxo, é porque tinha contas ‘offshore’ que lhe permitiram fugir”, acrescentou a coordenadora bloquista.

Catarina Martins defendeu que “estas fugas, a fuga do dinheiro, essa também tem de ser combatida”: “No Bloco temos tido proposta e temos proposta reforçada e renovada nestas legislativas. Temos dito que não há nenhuma boa razão para alguém pôr dinheiro num offshore que não seja fugir à lei”, assinalou.

O Bloco considera que está na hora de atualizar a lista oficial dos offshores, de não permitir que o Estado, de alguma forma, tenha algum tipo de contratualização, de apoio de negócio, com aqueles que têm veículos de offshores. E propõe ainda criminalizar as transferências para offshores.

“Portugal não tem o poder de acabar com os offshores no mundo. Pode dar o exemplo em sua casa e pode, seguramente, dizer que é um crime passar dinheiro para um offshore”, explicou Catarina Martins.

A dirigente bloquista sabe que esta proposta “terá muitos oponentes”, nomeadamente entre “quem não mexe uma palha para facilitar a vida” das autoridades.

E lembrou que Rendeiro tinha pelo menos sete offshores, entre os quais “dois terão sido montados pelo escritório de advogados de José Miguel Júdice, que nos explica as causas das coisas em prime time”.

“Na verdade, já se generalizou tanto que se pode recorrer a offshores que até um alto dirigente do PSD, quando apanhado num dos escândalos de offshores, veio dizer que só tinha lá o dinheiro para fazer um negócio em Moçambique que a lei moçambicana não lhe permitia fazer. A candura com que tudo isto se diz!”, apontou Catarina Martins.

De acordo com a Tax Justice Network, só no último ano, 1300 milhões fugiram do país em offshores e em esquemas fiscais das grandes empresas.

“O dinheiro existe. É preciso é ir buscá-lo. É preciso é travar esta fuga dos grandes para que possamos pagar os serviços fundamentais a todos”, enfatizou a coordenadora bloquista.

“E é para isso que o Bloco se apresenta a estas eleições. E com uma vantagem: se há quem encha a boca com a palavra corrupção e depois se esqueça de ir ao Parlamento votar as leis, o Bloco de Esquerda nunca falta. E neste país sabem que não brincamos com coisas sérias, como o combate à corrupção, à fuga aos impostos, ao crime económico. Estamos aqui porque acreditamos num país em que toda a gente seja respeitada e em que todo o crime seja punido, também o crime económico e financeiro”, rematou Catarina Martins.

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