Catarina denuncia ameaça de despejo em bairro de Lisboa

08 de maio 2023 - 13:58

Num encontro com os moradores que viveram toda a vida no Casal do Gil e estão sob ameaça de despejo, a coordenadora do Bloco criticou a política camarária que quer “expulsar as pessoas com menores rendimentos para fora da cidade”.

PARTILHAR
Catarina Martins com uma moradora do Casal do Gil.
Catarina Martins ouviu queixas de moradores ameaçados de despejo no Casal do Gil, em Lisboa. Foto António Pedro Santos/Lusa

Catarina Martins esteve esta segunda-feira com os moradores do Casal do Gil, na freguesia lisboeta da Ajuda, que toda a vida viveram naquele bairro, construíram melhoramentos nas casas à sua custa e estão há cinco anos sob ameaça de despejo. “Estas pessoas estão no pior de todos os mundos: fizeram obras nas suas casas e o senhorio nunca fez obras nenhumas, pagaram sempre as suas rendas. E agora porque há um negócio imobiliário que parece apetecível, vão ser despejadas”, denunciou Catarina, criticando a inação da Câmara para resolver o problema destes moradores.

São pessoas que trabalham, “mas com os seus salários é impossível arranjar uma casa na Área Metropolitana de Lisboa”. Por outro lado, “aparentemente ganham demais para os programas sociais, e ficam sem nenhuma resposta. É absurdo”, prosseguiu Catarina, acrescentando que “há pessoas que vão ser despejadas até ao fim do mês que não têm para onde ir”.

A Câmara nunca usou os mecanismos legais ao seu dispor para obrigar a obras coercivas nas casas, não negociou com o senhorio a compra das casas e não arranja uma resposta social para estes moradores. Na quarta-feira há reunião de Câmara e “queremos que seja cumprido o que foi aprovado em tempos por unanimidade, que é proteger estas pessoas”, afirmou Catarina.

“Vemos todos os dias que a economia está a crescer e que Lisboa é um dos melhores destinos do mundo. Como é que é possível deixarmos estas famílias que ganham pouco mais que o salário mínimo, cumprem as suas obrigações, fazem as obras das suas casas, ficarem numa situação de sem-abrigo sem mais nem menos?”, questionou, acusando o executivo municipal de ter “uma política de expulsar as pessoas com menores rendimentos para fora da cidade”.

Sobre as medidas do Pacote Mais Habitação que vão a debate na próxima semana no Parlamento, a coordenadora bloquista diz que frustrou as expetativas iniciais, pois em ”todas as medidas concretas para baixar o preço da habitação, o Governo desistiu delas e diz que as autarquias farão se quiserem. Mas já se viu que autarquias como a de Lisboa e do Porto querem é expulsar as pessoas mais pobres da cidade e abrir todas as portas aos negócios imobiliários que alimentam os cofres das autarquias”.

"Governo nem resolve os seus problemas internos, nem é capaz de responder à vida das pessoas"

Questionada pelos jornalistas sobre as dificuldades do Governo que ficaram expostas na crise da semana passada, Catarina respondeu que “o Governo neste momento não faz absolutamente nada: nem resolve os seus problemas internos e institucionais, nem é capaz de responder à vida das pessoas, e eu acho que esse é o maior problema do país”, dando os exemplos da falta de professores, os atrasos na justiça, a saúde e habitação “estão cada vez piores”.

A coordenadora bloquista insistiu ainda na responsabilidade que cabe também ao Presidente da República, que “está numa situação complicada desde que decidiu dar a mão a António Costa”, num “número criado para haver eleições antecipadas e dar uma maioria absoluta ao PS”.

“Eu acho que há muita gente no país arrependida desta maioria absoluta. Seguramente o Presidente da República é um deles”, concluiu.