“Um governo que nega ao povo o direito a ter vida digna é sempre um governo a prazo”

04 de maio 2023 - 23:07

Mariana Mortágua reagiu à declaração do Presidente da República, lembrando que este engendrou as condições para esta maioria absoluta. E conclui que não se pode confiar nem no Governo nem no Presidente para trazerem as soluções de que as pessoas precisam.

PARTILHAR
Mariana Mortágua. Foto de Ana Mendes.
Mariana Mortágua. Foto de Ana Mendes.

Depois da mensagem presidencial da noite desta quinta-feira, Mariana Mortágua reagiu sublinhando que há “um óbvio problema de credibilidade quando vários ministros mentem sistematicamente e são absolvidos e amnistiados pelo primeiro-ministro”. Mas lembrou também que foi o próprio Presidente da República, junto com o primeiro-ministro, que “ajudou a criar as condições políticas para esta maioria absoluta”.

Assim, Marcelo Rebelo de Sousa “está enredado numa maioria absoluta arrogante, prepotente, que não leva o país a sério”. Pelo que, conclui a deputada do Bloco, “hoje sabemos que não confiamos nem no Governo nem no Presidente da República para apresentarem ao país as soluções de que as pessoas esperam e precisam, para o dia a dia, para viverem as suas vidas com segurança e com desafogo”.

E se esta confiança não pode ser depositada nos representantes destas instituições, Mariana Mortágua garante que o “país pode contar com a fiscalização sempre séria do Bloco de Esquerda a este governo de maioria absoluta”. Para exigir da maioria absoluta "todas as respostas”, à semelhança de quando propôs a Comissão de Inquérito à TAP “que permitiu chegar a todas estas evidências sobre a forma como a maioria absoluta e o PS" geriram "a maior empresa pública do país, estratégica para o país”.

Para além disso, prosseguiu Mariana, "quando o Governo não é obrigado a ouvir mais ninguém, é obrigado a ouvir as ruas”, pelo que o Bloco acredita que “o país também deve confiar nas mobilizações populares porque só elas desafiam a maioria absoluta”. São estas mobilizações que “têm um poder de impor a este governo do Partido Socialista medidas que podem transformar as nossas vidas”.

"Se o Governo se enreda em casos e casinhos é porque não tem resposta política para a vida das pessoas"

No seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que a demissão de João Galamba do Governo era justificada pela responsabilidade do ministro, pois "um governante sabe que ao aceitar sê-lo, aceita ser responsável pelo que faz e pelo que não faz". E lançou a pergunta, usando as palavras ditas por António Costa na sua intervenção ao país a descrever a situação vivida no Ministério das Infraestruturas com o ex-adjunto de Galamba: "Como pode esse ministro não ser responsável por situações rocambolescas, muito bizarras, inadmissíveis ou deploráveis suscitadas por esse colaborador?". e concluiu que “responsabilidade é pagar pelo que se faz ou deixou de fazer". Quanto à relação futura com o executivo após este conflito, Marcelo recusou a dissolução da Assembleia da República e prometeu apertar a fiscalização ao Governo, estando "mais atento e mais interveniente no dia a dia, para evitar o recurso a poderes de exercício que a Constituição me confere e dos quais não posso abdicar."”

Questionada sobre se a partir da declaração de Marcelo o Governo não passa a estar a prazo, a dirigente bloquista retorquiu que “todos os governos que não respondem pelo povo e que não dão uma resposta política às dificuldades que as pessoas vivem são governos a prazo quanto mais não seja porque terão de enfrentar a vontade popular, as mobilizações populares”. Ou seja, a questão não é “palaciana” ou de “jogos de poder entre o Presidente e primeiro-ministro” mas sobre a vida concreta das pessoas. “E se o Governo se enreda em casos e casinhos é porque não tem resposta política para a vida das pessoas, para os juros que sobem, para os problemas de saúde, os professores que não têm a sua carreira dignificada nem reconhecida”, sendo estes os problemas a que “é preciso dar resposta”. Portanto, reforça, “um governo que nega ao povo o seu direito a ter uma vida digna, desafogada, é sempre um governo a prazo”.

E quando outra pergunta se dirigiu à situação do ministro das Infraestruturas, Mariana Mortágua respondeu: “não vi até agora ninguém, a não ser o primeiro-ministro, que entendesse que o ministro João Galamba tinha condições para continuar no Governo depois daquilo que aconteceu”. E até “tendo em conta que houve uma carta de demissão, nem o próprio ministro João Galamba acha que tem condições”, concluiu.