O país não tem tempo a perder e este Governo só perde tempo

04 de maio 2023 - 17:42

À margem de uma reunião em Bruxelas com partidos da esquerda de 25 países europeus, Catarina Martins diz que o que Portugal precisa é de "um plano claro para agir sobre os seus maiores problemas".

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José Gusmão e Catarina Martins
José Gusmão e Catarina Martins esta quinta-feira em Bruxelas. Foto The Left.

A coordenadora do Bloco está a participar num encontro dos partidos da Esquerda Europeia em Bruxelas, no dia em que Christine Lagarde anunciou uma nova subida das taxas de juro do Banco Central Europeu e quando a Comissão apresentou a sua proposta de revisão de regras da governação económica. Dois anúncios que, defende Catarina, vão colocar o país em maiores dificuldades, pois se o primeiro tem um impacto direto na vida de muitas famílias que contraíram créditos à habitação, o segundo terá como consequência "serviços públicos e salários mais fragilizados" em Portugal, onde "temos o único governo da Europa que decide reduzir a dívida a um ritmo que foi considerado prejudicial pela própria União Europeia".

Questionada pelos jornalistas sobre a crise política que terá novo capítulo com a comunicação presidencial às 20h desta quinta-feira, Catarina Martins destacou a dimensão social da crise, dizendo esperar que ela também faça parte do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa.

"As pessoas podem ficar chocadas com os casos, mas o que as preocupa mesmo é como é que vão pagar a prestação da casa agora que o BCE decidiu aumentar outra vez os juros, ou o que fazem quando não encontram um hospital aberto ou quando continuam a faltar professores nas escolas. Sobre estas coisas não há nenhuma resposta" por parte do Governo e essa é que é a questão central para o Bloco de Esquerda.

"Portugal precisa de um plano claro para agir sobre os seus maiores problemas", defendeu Catarina, insistindo que "precisamos de decisão política sobre a vida das pessoas, nas áreas fundamentais como a habitação, saúde e educação", pois hoje em dia "estamos com um país paralisado". Isso passa também por "credibilizar o Governo, porque um Governo descredibilizado e onde a mentira é o modus operandi, é um Governo que não tem legitimidade democrática todos os dias para agir".

"Amarrados um ao outro", Marcelo e Costa "arrastam o país para uma falta de soluções"

"Não sei se são precisas eleições para o fazer, mas o que não vale é dizer que está tudo bem como está e pode ficar como está", prosseguiu Catarina, resumindo assim as "duas saídas" para a crise neste cenário de maioria absoluta: "ou o Presidente da República decide dissolver o Parlamento e convocar eleições - e o Bloco de Esquerda estará preparado para o que houver -, ou o Governo tem a capacidade com a maioria absoluta que tem, de se reinventar, reorganizar e mostrar outro projeto ao país".

"Neste momento está nas mãos do Presidente e do primeiro-ministro tirarem Portugal do pântano onde está", considera a coordenadora bloquista, sublinhando que nenhum dos dois está isento de responsabilidades na situação a que se chegou. "Este Presidente da República foi desejado pelo primeiro-ministro e os dois juntaram-se para aquela artimanha de conseguir a maioria absoluta quando decidiram que era preciso eleições num momento em que não era preciso". E por essa razão acabaram "amarrados um ao outro numa situação muito complicada porque arrastam o país para uma falta de soluções".

Enquanto isso, "o país não tem tempo a perder e este Governo só perde tempo", acrescentou, concluindo com o exemplo das escolas: "Está a acabar um ano letivo e o Governo não encontrou nenhuma solução para os professores. Vai começar o próximo ano letivo ainda com menos professores do que este teve, porque entretanto mais se vão reformar e não há solução para o ensino".

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