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Catalunha: Responsável pela investigação era “troll” no Twitter

O tenente-coronel da Guardia Civil que dirigiu a investigação contra os independentistas tinha um perfil anónimo no Twitter onde atacava os alvos da investigação, mas também jornalistas e polícia catalã.
O tenente-coronel Daniel Baena, também conhecido por "Tácito" no Twitter. Foto publicada em Publico.es

Com o pseudónimo de “Tácito”, o chefe da Polícia Judiciária da Guardia Civil – e responsável pela investigação que culminou na acusação por rebelião e sedição a dirigentes políticos catalães — publicava mensagens no Twitter a atacar os que mais tarde viriam a ser acusados, mas também os Mossos d’Esquadra e alguns jornalistas, a par de outras mensagens a enaltecer o ditador Franco.

Quando a sua identidade foi reconhecida, o diário espanhol Público confrontou-o com esta associação. Daniel Baena começou por confirmar que se tratava da mesma pessoa e que o fazia a título pessoal, mas recuou quando lhe perguntaram se achava compatível com a sua obrigação de imparcialidade nas investigações ao “procés” catalão.

Esta terça-feira, Baena foi ouvido no Tribunal Supremo como testemunha do processo contra os independentistas e negou ser a pessoa por detrás do pseudónimo “Tácito” no Twitter. E também começou por negar usar a mesma foto de perfil — uma cascavel em posição de ataque — nessa conta do Twitter, entretanto apagada, e na sua conta pessoal no Facebook. Depois da insistência dos advogados dos acusados, acabou por afirmar que “pode ser que tenha usados fotos tiradas da internet”.

Apesar dos pedidos apresentados pela defesa dos 12 independentistas no banco dos réus, o juiz do Supremo recusou ordenar um exame forense para verificar se os titulares das contas eram os mesmos. E recusou também chamar a testemunhar o jornalista do Público, Carlos Enrique Bayo, que falou com o responsável da investigação sobre a sua conta anónima no Twitter. O Público divulgou esta semana o som dessa conversa, em que Baena começa por admitir ser “Tácito” no Twitter e depois recua.

No seu depoimento em tribunal, Daniel Baena afirmou várias vezes que a Catalunha viveu um “período insurrecional” em setembro e outubro de 2017, até à aplicação do Artigo 155 pelo governo de Mariano Rajoy, que retirou autonomia aos organismos públicos catalães. Questionado pelos advogados pela razão para a polícia não ter prendido uma única pessoa nesse período, Baena disse que a polícia “sabia que qualquer incidente pequeno podia dar lugar a uma escalada incontrolável“.

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