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Cabo Delgado: ataques intensificam crise sanitária

641 profissionais de saúde abandonaram os postos de trabalho devido à violência. A semana passada mais dez pessoas morreram devido a ataques do Daesh. Estes causaram já mais de duas mil mortes e 560 mil deslocados.
Campo de deslocados de Manono, Metuge, Moçambique 22 de julho de 2020. Foto de RICARDO FRANCO/Lusa.
Campo de deslocados de Manono, Metuge, Moçambique 22 de julho de 2020. Foto de RICARDO FRANCO/Lusa.

Segundo o ministro da Saúde de Moçambique, Armindo Tiago, citado pela Televisão de Moçambique, 641 profissionais de saúde abandonaram até ao momento os seus postos de trabalho devido aos ataques armados do Daesh, o auto-proclamado “Estado Islâmico”, em Cabo Delgado. O governante diz ainda que há 41 unidades hospitalares encerradas, das quais 27 estão destruídas.

Este facto intensifica a crise sanitária e humanitária vivida no território. Desde 2019, houve mais de duas mil mortes e 560 mil deslocados. Em 15 e 16 de dezembro, em Nangade e Palma, registaram-se mais ataques, havendo a notícia de dez mortes e da destruição de centenas de casas.

Esta terça-feira, a UNICEF mostrou-se preocupada com as mais de 250 mil crianças deslocadas. Água, higiene e saneamento são “insuficientes para responder às necessidades crescentes das crianças que vivem em centros de acolhimento temporários superlotados”. O risco de doença, com a época das chuvas, torna-se maior. E a subnutrição também ameaça.

À revista Sábado, Carlos Almeida, coordenador da Helpo em Moçambique, uma ONG presente no terreno desde 2009, confirma os problemas vividos nos campos de refugiados sobrelotados e com mais pessoas a chegar nas últimas semanas.

Segundo ele, o cenário "é mesmo muito pesado". Em Metuge, concentram-se entre 10 a 12 mil refugiados. Os deslocados da guerra juntam-se aos refugiados ambientais, desalojados pelo ciclone Kenneth em 2019.

Carlos Almeida explica que muitos “fugiram mesmo quando as forças entraram nas aldeias e eles só tiveram tempo de pegar nas crianças e fugir” e que alguns “viram a família ser raptada à frente deles e claro que isso vai ter influência na sua saúde mental.”

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