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Brexit adiado, governo dividido

A votação que requer uma extensão do artigo 50 foi significativa, recusando assim uma saída não negociada. Mas oito dos ministro de Theresa May e mais de metade da bancada conservadora votaram contra esta proposta.
Foto de Tiocfaidh ar la 1916/Flickr

A história parlamentar do Brexit é feita de reviravoltas. Esta quinta-feira aconteceu outra, importante, mas que não significa ainda o fim da história: votou-se o adiamento pelo menos por três meses da saída do Grã-Bretanha da União Europeia. May pode ainda reclamar mais uma pequena vitória: conseguiu por uma pequena margem que o governo mantenha controlo do processo de Brexit.

30 de junho é agora o novo prazo-limite. Só que o acordo de saída feito pela Primeira-Ministra deve voltar a ser votado no Parlamento depois de ter sido já derrotado por duas vezes.

Esta votação até que foi expressiva mas os conservadores continuam visivelmente divididos quanto à questão. Oito dos ministros, entre os quais o secretário de Estado para o Brexit, Steve Barclay, votaram contra a proposta de adiamento. E mais de metade da bancada conservadora também se opôs.

Esta situação mereceu críticas vincadas da oposição trabalhista. Keir Starmer, ministro-sombra para o Brexit, declarou que o voto do secretário governamental responsável pelo Brexit, depois de ter defendido essa proposta no mesmo dia “é o equivalente ao chanceler votar contra o seu próprio orçamento. Este é um governo que perdeu completamente o controlo”.

Jeremy Corbyn, o dirigente do Labour, fala em “caos governamental” e derrotas. Onde o governo “falhou tão dramaticamente” propõe-se “trabalhar em conjunto para encontrar uma solução” o que significa “ter reuniões com parlamentares de todas as bancadas para encontrar um consenso e um compromisso que satisfaça as necessidades do nosso país.”

Porém, do lado trabalhista também há divisões. O Labour queria ter disciplina de voto na votação sobre um segundo referendo mas 24 dos seus deputados não cumpriram a disciplina votando a favor e 17 fizeram-no no sentido contrário, votando contra.

Dado o provável chumbo da reapresentação a votação do acordo de May, avança-se agora com a possibilidade de se negociar com a União Europeia um prazo maior de suspensão da saída. A história das reviravoltas que sacudiram o tabuleiro político britânico para assim estar para durar.

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