Um bombardeamento israelita no sul de Gaza vitimou esta quarta-feira três cidadãos portugueses, duas crianças e uma mulher, para além de dois palestinianos seus familiares que constavam da lista para serem retirados para Portugal.
A confirmação das mortes foi feita pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e uma nota publicada pela Presidência da República “lamenta” a morte dos civis e “e expressa a sua mais sentida solidariedade às famílias, bem como a todas as vítimas deste conflito”. Também o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, o fez, acrescentando, em declarações citadas pelo Público: “nós precisamos de parar agora estes bombardeamentos” que “estão a provocar vítimas civis”.
O Governo afirma ainda que um outro grupo que integra dois portugueses e mais oito pessoas que Portugal deu indicação de que poderiam seguir para o nosso país recebeu na noite desta quarta-feira autorização das autoridades do Egito, em articulação com Israel, para sair da Palestina nas próximas horas, cruzando a fronteira em Rafah.
As tentativas de retirar cidadãos nacionais de Gaza duram desde meados do mês passado. Na altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros dizia em entrevista à TVI que existia “um pequeno número” de portugueses no território e que estava “naturalmente expectante quanto à possibilidade de saída dessas pessoas de Gaza”.
Esta segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros dava conta de que estava em preparação a retirada de 16 portugueses e “um conjunto mais alargado” de palestinianos com ligações ao país. Os nomes destas pessoas terão sido enviados a Israel para que recebessem o seu aval de saída.
Conselho de Segurança da ONU pede corredores humanitários
Entretanto, no Conselho de Segurança da ONU, passados 40 dias de guerra e depois de quatro tentativas falhadas de adotar uma resolução, acabou por ser aprovada uma resolução que pede pausas humanitárias “urgentes e amplas” nos bombardeamentos para que “durante um número suficiente de dias” chegue ajuda a Gaza.
Por outro lado, apela-se ao mesmo tempo para a libertação imediata e incondicional dos reféns detidos pelo Hamas. Insiste-se ainda na necessidade de “proteger as crianças” por serem “especialmente vulneráveis”.
A proposta de resolução foi apresentada por Malta e contou com a abstenção dos EUA, da Rússia e do Reino Unido que permitiu desempatar o jogo de vetos cruzados que até agora tinha paralisado o órgão: os EUA tinham-se oposto a uma proposta brasileira de apelo a pausas humanitárias, Rússia e China tinham bloqueado uma proposta norte-americana.
Apesar de há dias Israel ter anunciado que aceita pausas humanitárias de quatro horas, o representante permanente do país no Conselho de Segurança, Brett Jonathan Miller, criticou o texto aprovado, considerando-o “alheio à realidade no terreno” e centrado “unicamente na situação humanitária em Gaza” e por isso “não mencionando o que levou a este momento”. Para ele, “a resolução faz com que pareça que o que estamos a presenciar em Gaza aconteceu por vontade própria”.
Por sua vez, o representante permanente da Palestina, Riyad Mansour, também não se mostrou satisfeito com o conteúdo do que foi aprovado, considerando que “o Conselho deveria ter atendido ao apelo da ONU e de todas as organizações humanitárias da Terra que pedem um cessar-fogo humanitário”.