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Bloco vai opor-se à recondução de Manuel Salgado na presidência da SRU

Em comunicado, o Bloco de Esquerda acusa Fernando Medina de tentar condicionar a sua iniciativa política, ao não agendar para discussão a proposta que retira ao ex-vereador do Urbanismo a liderança da empresa que executa muitas das obras públicas na cidade.
Fernando Medina e Manuel Salgado.
Fernando Medina e Manuel Salgado em 2015. Foto de Mário Cruz/Lusa

Desde o momento em que Manuel Salgado anunciou a sua saída da vereação da Câmara Municipal de Lisboa (CML) — e ao mesmo tempo a intenção de continuar à frente da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) — o Bloco manifestou a sua oposição a esta permanência. Em seguida, agendou uma proposta para ser discutida na vereação no sentido de a CML se opor à recondução de Salgado.

Com a discussão marcada para esta quinta-feira, o vereador do Bloco tomou conhecimento de que o presidente da CML, Fernando Medina, apenas incluiu na proposta de ordem de trabalhos da reunião a sua proposta, que apoia a manutenção de Manuel Salgado na presidência da SRU.

“Esta tentativa de condicionamento da agenda política do Bloco é inaceitável, ainda mais porque representa uma discussão que foi feita publicamente. O vereador do Bloco de Esquerda vai exigir que esta proposta seja discutida nesta mesma reunião”, afirma o comunicado enviado às redações pelo gabinete de Manuel Grilo.

Entre as razões apresentadas para a rejeição do nome de Salgado está o balanço feito pelo Bloco de Esquerda dos doze anos de mandato enquanto vereador, anos em que Lisboa assistiu a uma transformação marcada “pela reabilitação privada, pelo aumento exponencial das rendas e da expansão desordenada de plataformas de alojamento local”.

“A política urbanística da cidade, para melhor encaixar os interesses privados de intervenção em Lisboa, descurou o interesse público. Hoje, temos uma cidade esteticamente renovada, mas também mais desigual, onde até as famílias com rendimentos médios são incapazes de pagar os preços impostos pelo mercado”, sublinha a vereação bloquista.

Tendo em conta que o principal argumento para eleger Salgado à frente da SRU em 2018 foi a necessidade de maior envolvimento e articulação entre a Câmara e a empresa que concentra as obras públicas do município, o Bloco entende que a sua reeleição num contexto em que não exerce qualquer cargo no executivo vem contrariar os fundamentos dessa proposta. Por isso, a presença de Salgado na administração da SRU “não se afigura a melhor solução para a salvaguarda do interesse público, da democracia e do escrutínio público que uma empresa tão importante exige”, afirma o comunicado.

O Bloco lembra ainda a sua oposição à alteração de estatutos que concentrou nesta empresa municipal a execução das obras públicas do município, alargando o seu raio de ação a quase toda a cidade. “Os problemas de obras da cidade não se resolvem contornando o código de contratação pública e as regras concursais”, alerta a vereação bloquista, contrapondo que “é possível ter uma cidade com obras planeadas, devidamente orçamentadas e com prazos cumpridos, desde que não responda meramente a prazos eleitoralistas e com orçamentos insustentáveis”.

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