O Bloco de Esquerda apresentou um voto de solidariedade para com a vaga de protestos que tem abalado o Irão, condenando inequivocamente a repressão exercida pelas autoridades de Teerão sobre os manifestantes.
No documento entregue na Assembleia da República, o deputado Fabian Figueiredo enquadra a origem desta revolta popular na deterioração das condições de vida. O texto aponta a decisão do Governo da República Islâmica de "eliminar subsídios a bens alimentares essenciais" como o rastilho que provocou um "aumento abrupto da inflação" e atirou grande parte da população para a pobreza.
Contudo, os bloquistas sublinham que aquilo que começou como um grito contra a fome e a carestia de vida evoluiu rapidamente para uma "contestação de natureza política e sistémica". Para o Bloco, as manifestações colocam hoje em causa "o atual quadro institucional e a legitimidade do regime teocrático", incapaz de responder tanto às necessidades básicas como à exigência de liberdades fundamentais.
O projeto de voto denuncia o "recurso sistemático à força" pelo Estado iraniano, citando o destacamento da Guarda Revolucionária para reprimir violentamente quem está na rua. O Bloco alerta ainda para a estratégia de "apagão digital", com cortes no acesso à internet e às telecomunicações, que visa "obstruir a organização da sociedade civil" e esconder do mundo a atuação das forças de segurança.
Fiel à sua linha de defesa da soberania dos povos, o documento do Bloco de Esquerda faz questão de demarcar o apoio às manifestações de qualquer agenda geopolítica externa.
O texto afirma que a legitimidade dos protestos reside "estritamente na vontade e na autodeterminação da população iraniana" e adverte contra tentativas de instrumentalização. "A soberania e a construção de alternativas políticas democráticas no Irão dependem exclusivamente da ação do seu povo", lê-se no projeto, que rejeita tanto a repressão interna dos mulás como as "ingerências externas" de potências estrangeiras.
Com esta iniciativa, o Bloco propõe que a Assembleia da República manifeste formalmente a sua solidariedade com quem luta por direitos cívicos e materiais no Irão, condene o uso da força e as restrições à informação, e reafirme que o futuro do país deve ser decidido pelos iranianos, em liberdade.