Bispo critica "muito mau gosto" do selo do Vaticano

17 de maio 2023 - 20:05

As semelhanças gráficas do selo comemorativo das Jornadas Mundiais da Juventude de Lisboa com os manuais escolares da ditadura causaram polémica. O bispo Carlos Moreira Azevedo diz que o resultado "não tem nada a ver" com a atitude do papa Francisco.

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Selo do Vaticano com o Padrão dos Descobrimentos
O polémico selo apresentado esta semana pelo Vaticano.

Mal foi divulgado publicamente, o selo emitido pelo Vaticano para assinalar a realização das Jornadas Mundiais da Juventude em Portugal provocou uma sensação de "déjà vu" em muitos portugueses. É que as figuras representadas no desenho de Stefano Morri remetem para a estética colonialista dos materiais produzidos pelo Secretariado de Propaganda Nacional da ditadura e dos manuais escolares da escola primária desses tempos.

A utilização da imagem do Padrão dos Descobrimentos, monumento construído em meados do século passado para enaltecer as glórias do império português, substituindo os navegadores e colonizadores por jovens e o Infante D. Henrique pelo papa Francisco a guiá-los, também não agradou à organização das Jornadas, que prontamente se demarcou de qualquer responsabilidade sobre a iniciativa.

O desagrado foi manifestado também na terça-feira pelo bispo português Carlos Moreira Azevedo, delegado do Comité Pontifício para as Ciências Históricas. Em declarações à TSF, considerou a execução do desenho "de muito mau gosto", "não só gráfico", mas também no "motivo de inspiração". O bispo acrescenta que o papa Francisco "não gostará de se ver envolvido em algo que não tem nada a ver com a sua atitude", referindo-se a este selo "polémico e acentuadamente nacionalista para um evento que tem um caráter extremamente universal".

Além da "base de inspiração muito má" da propaganda fascista que parece ter sido usada, na opinião do bispo "a execução gráfica também não parece ser de grande nível". A começar pela forma como o papa é colocado "ali à frente do grupo", o que "não parece nada ser o espírito do papa". Para Carlos Moreira Azevedo, Francisco preferiria "estar à volta das pessoas, envolvido por pessoas, e não assim naquele modelo".