BES tem 96 milhões de lucros e reduz trabalhadores

07 de fevereiro 2013 - 1:52

Depois do BPI, é a vez de o banco de Ricardo Salgado anunciar lucros com transações com dívida pública, ao mesmo tempo que continua a extinguir postos de trabalho. Banqueiro diz que nunca se esqueceu de cumprir as obrigações fiscais, mas recorreu a três amnistias e retificou três vezes a declaração do IRS de 2011.

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Grande parte dos lucros foi obtida com transações com dívida pública, principalmente portuguesa. Foto de Paulete Matos

 

O BES atingiu no total de 2012 um lucro de 96,1 milhões de euros, invertendo os prejuízos de 108,8 milhões de euros de 2011. Grande parte dos lucros foi obtida com transações com dívida pública, principalmente portuguesa, que renderam 825 milhões de euros.

"A nossa exposição à dívida pública é fundamentalmente em Portugal e alguma coisa em Espanha. Chegámos a ter em junho 5,5 mil milhões de euros [em dívida pública] e temos hoje menos de 3,5 mil milhões", disse o administrador financeiro da instituição Amílcar Morais Pires na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do banco, sublinhando que este valor tem em conta tanto a dívida pública detida pelo banco como pela companhia de seguros.

O resultado global foi afetado pelo gasto de 54,1 milhões de euros, relacionado com a aquisição do controlo da BES Vida. Além disso, afirma o banco, “o incremento da receita foi absorvido, em grande parte, pelo elevado custo com o provisionamento que aumentou 41,4%”. Os efeitos da recessão económica refletiram-se no reforço das provisões que totalizou os 1.200 milhões de euros.

Menos trabalhadores

Ricardo Salgado confirmou que o BES fechou 35 balcões em Portugal e concluiu o ano com menos 102 trabalhadores no mercado doméstico. Em 2013, pretende reduzir mais cerca de 224 trabalhadores em Portugal. “Com isto devemos manter um nível de eficiência elevado e fazer face às necessidades de crescimento que temos”, disse o banqueiro.

Três amnistias fiscais

Relativamente ao facto de ter retificado por três vezes a sua declaração de IRS de 2011, Ricardo Salgado repetiu que está de consciência tranquila. “Devo dizer que nunca me esqueci de cumprir as minhas obrigações fiscais. Pode ter a certeza que aquilo que fiz é de uma correção absoluta”, afirmou.

Entre as coisas que fez, o presidente do BES recorreu aos três planos de ‘amnistia fiscal’ lançados pelos governos desde 2005, dirigidos a quem tem património escondido no estrangeiro. Segundo o Sol, Salgado regularizou cerca de 26 milhões de euros que tinha fora de Portugal e não declarara ao fisco. E pagou dois milhões de euros de imposto – correspondentes às taxas de 5% e 7,5% estipuladas nos Regimes Extraordinários de Regularização Tributária (RERT) de 2005 (RERT I), de 2010 (RERT II) e de 2011 (RERT III).

Além de ter recorrido às três regularizações fiscais, Ricardo Salgado retificou a sua declaração de IRS relativa a 2011, para regularizar pelo menos mais 8,5 milhões de euros de rendimentos por atividades de consultoria em Angola.

Na terça-feira, em declarações ao Jornal de Negócios, Salgado disse que o dinheiro que declarou nos três RERT refere-se a rendimentos obtidos após sair de Portugal, em 1975. Questionado por que razão não os declarou todos quando regressou ao país, em 1992 – só tendo começado a fazê-lo 13 anos depois, a partir de 2005, e às ‘fatias’ –, disse que, por um lado, esteve sempre à espera de um programa como o RERT, pois outros países já o tinham feito, e que, por outro lado, “precisava de manter capital fora de Portugal, para fazer face aos investimentos no grupo”, com sede no Luxemburgo.

Também se afirmam de consciência tranquila os administradores José Maria Ricciardi e Amílcar Morais Pires, constituídos arguidos por suspeitas de abuso de posição dominante na negociação de ações da EDP.