A “ginástica financeira” do BES é apresentada pelo artigo do Wall Street Journal como uma manobra para aceder a dinheiro fácil, num momento em que este acesso está dificultado por Portugal não ter acesso aos mercados financeiros e estar sob resgate. Apesar de “ser legal e em linha com as diretrizes do regulador”, a manobra expôs os investidores do ES Liquidez, “incluindo clientes de retalho do BES, a elevados níveis de concentração de risco".
A certa altura, diz o artigo, assinado por Patrícia Kowsmann, quatro quintos dos ativos do ES Liquidez consistiam em papéis comerciais emitidos pelo grupo e afiliados e apresentados como um investimento de baixo risco, conservador.
Um especialista da London School of Economics ouvido pelo WSJ observou que mesmo que a avaliação feita pelo fundo fosse correta, “é muito questionável expor investidores a um risco de dívida tão concentrado”, acrescentando que há neste caso “um claro conflito de interesses”.
O risco, porém, era ainda maior pelo facto de, acreditam esses mesmos especialistas, o Espírito Santo International ter sobreavaliado o valor dos seus maiores ativos.
Para o economista António Samagaio, do ISEG, ouvido também pelo WSJ, o principal ativo do ES Liquidez é uma parcela de 33,4% do Grupo Financeiro Espírito Santo, avaliada em 1.550 milhões de euros. Mas fazendo as contas ao valor das ações, o resultado é menos de um quarto daquele valor.
A ES Liquidez disse ao WSJ que a sua exposição atual à dívida da sua controladora foi reduzida para 11,9%, para cumprir as novas regras. Mas, recorda o jornal, ainda em agosto deste ano cerca de 80% dos investimentos do ES Liquidez eram de papéis comerciais emitidos por entidades do grupo Espírito Santo. O fundo ES Liquidez tinha 998 milhões de euros de dívida do Espírito Santo International, muito mais que os 70 milhões que detinha em janeiro de 2012 e zero no ano anterior.