BES expôs investidores a riscos altíssimos, diz WSJ

12 de dezembro 2013 - 18:27

Principal jornal financeiro dos Estados Unidos dedica um extenso artigo àquilo que chama de “ginástica financeira” do Espírito Santo Internacional SA, que durante um período de 21 meses vendeu 6000 milhões de euros da sua própria dívida a um fundo de investimento do mesmo grupo, o ES Liquidez.

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Investimento era apresentado como sendo de baixo risco, mas na verdade era de risco altíssimo. Foto de Paulete Matos

A “ginástica financeira” do BES é apresentada pelo artigo do Wall Street Journal como uma manobra para aceder a dinheiro fácil, num momento em que este acesso está dificultado por Portugal não ter acesso aos mercados financeiros e estar sob resgate. Apesar de “ser legal e em linha com as diretrizes do regulador”, a manobra expôs os investidores do ES Liquidez, “incluindo clientes de retalho do BES, a elevados níveis de concentração de risco".

A certa altura, diz o artigo, assinado por Patrícia Kowsmann, quatro quintos dos ativos do ES Liquidez consistiam em papéis comerciais emitidos pelo grupo e afiliados e apresentados como um investimento de baixo risco, conservador.

Um especialista da London School of Economics ouvido pelo WSJ observou que mesmo que a avaliação feita pelo fundo fosse correta, “é muito questionável expor investidores a um risco de dívida tão concentrado”, acrescentando que há neste caso “um claro conflito de interesses”.

O risco, porém, era ainda maior pelo facto de, acreditam esses mesmos especialistas, o Espírito Santo International ter sobreavaliado o valor dos seus maiores ativos.

Para o economista António Samagaio, do ISEG, ouvido também pelo WSJ, o principal ativo do ES Liquidez é uma parcela de 33,4% do Grupo Financeiro Espírito Santo, avaliada em 1.550 milhões de euros. Mas fazendo as contas ao valor das ações, o resultado é menos de um quarto daquele valor.

A ES Liquidez disse ao WSJ que a sua exposição atual à dívida da sua controladora foi reduzida para 11,9%, para cumprir as novas regras. Mas, recorda o jornal, ainda em agosto deste ano cerca de 80% dos investimentos do ES Liquidez eram de papéis comerciais emitidos por entidades do grupo Espírito Santo. O fundo ES Liquidez tinha 998 milhões de euros de dívida do Espírito Santo International, muito mais que os 70 milhões que detinha em janeiro de 2012 e zero no ano anterior.